O Fundo Global e o Governo da Guiné-Bissau assinaram esta quarta-feira duas subvenções no valor de 30 milhões de euros para combate à malária, tuberculose e sida no país.

As doações do Fundo Global são um complemento ao financiamento nacional. Quer dizer, as subvenções do Fundo Global são um pequeno apoio da comunidade internacional ao povo guineense”, afirmou Joshua Galjour, gestor do portefólio do Fundo Global para a Guiné-Bissau, sublinhando que o Governo guineense vai contribuir com 6,3 milhões de euros.

O programa, para o período entre 2018 e 2020, foi assinado durante uma cerimónia que decorreu no Centro Cultural Francês, em Bissau, e tem como objetivo apoiar o combate à malária, à tuberculose e à sida na Guiné-Bissau.

Segundo Joshua Galjour, os resultados do programa, que teve início em 2004, são “simplesmente extraordinários” no caso do combate à malária, apesar de reconhecer que aquela doença vai continuar a ser a principal causa de mortalidade na Guiné-Bissau.

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Desde 2012, observamos uma diminuição da prevalência de 83% entre as crianças de menos de cinco anos e de 90% entre os mais de cinco anos, assim como a utilização de mosquiteiros impregnados de 81%”, salientou.

Em 2016, foram notificados mais de 150 mil casos de malária no país e registadas 380 mortes. No caso do HIV/Sida, o responsável destacou que há cerca de 11 mil pessoas a receberem tratamento, mas que “ainda há muito para ser feito, porque apenas um em cada quatro guineense tem acesso aos medicamentos”.

Dados das Nações Unidas referem que 36 mil pessoas vivem com HIV na Guiné-Bissau e que a sida representa a terceira causa de mortalidade e incapacidade no país. “Na luta contra a tuberculose, todos os anos, o programa está a encontrar ainda mais casos positivos e apenas uma em cada três pessoas que vivem com a doença recebem os serviços que necessitam”, sublinhou.

A Organização Mundial de Saúde refere que a Guiné-Bissau registou entre 2014 e 2016 cerca de 2.100 casos de tuberculose por ano. As subvenções vão ser geridas pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

Esta luta traduz a filosofia do Governo, que coloca o homem no centro da sua política e demonstra um claro compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no domínio da Saúde”, afirmou o ministro da Saúde guineense, Carlitos Barai.

Segundo o ministro, as doenças condenam as famílias à pobreza, destroem a capacidade produtiva do país e “enfraquecem a sua capacidade de fazer face ao desenvolvimento”.

“Elas contribuem para anular os esforços de desenvolvimento, por representarem a curto e médio prazo um peso transcendental nas finanças públicas ao absorver uma fatia muito grande dos recursos nacionais para o atendimento do paciente”, disse.