E se, do nada, Gianluigi Buffon capitaneasse a Itália na fase final do Campeonato do Mundo? Depois da derrota no playoff com a Suécia, esse cenário tornou-se irreal, com o fechar da porta a motivar mesmo uma enorme revolução com a saída dos pesos pesados do grupo, do treinador e do próprio presidente da Federação. Agora, naquela que pode ser uma reviravolta surreal, abre-se uma janela de esperança de repescagem para o conjunto transalpino. E tudo por causa de um polémico projeto lei criado no Peru.

Peru venceu a Nova Zelândia no playoff e apurou-se para o Mundial (ERNESTO BENAVIDES/AFP/Getty Images)

Como explica o jornal peruano Líbero, Paloma Noceda, congressista de 37 anos eleita no ano passado por Lima pelo partido Fuerza Popular de Keiko Fujimori que chegou a ser campeã mundial de motonáutica, entre muitos outros títulos, apresentou para votação um projeto lei que prevê a passagem do controlo da Federação Peruana de Futebol para o Estado.

Como a FIFA não permite que uma federação não seja independente e tenha intervenção direta do governo, seria assim possível que o Peru ficasse excluído de todas as provas internacionais, incluindo o Campeonato do Mundo de 2018 na Rússia, para onde se qualificou após superar a Nova Zelândia no playoff intercontinental. Um cenário, ainda assim, pouco provável, até segundo a própria proponente do projeto lei.

“Pode haver alguma preocupação da FIFA, mas vamos fazer as coisas em função do bem do desporto peruano. Nenhum projeto de lei impedirá que o Peru vá ao Mundial”, destacou Paloma Noceda, sem explicar mais detalhes sobre como fintar a questão.

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O As recorda, por exemplo, que o Quénia teve de dissolver a sua Federação de Futebol por não cumprir essas regras de ser independente de organizações governamentais, em 2006.

Itália perdeu o playoff com a Suécia e ficou fora do Mundial seis décadas depois (Claudio Villa/Getty Images)

“Se uma federação participante se retira ou for expulsa da competição, a Competição Organizadora da FIFA decidirá sem consultar mais nenhum órgão as medidas que deve adotar. Uma dessas medidas pode ser a substituição da dita federação por outra”, diz o artigo sete do Regulamento do Campeonato do Mundo, não havendo uma especificação direta de quem rende a equipa excluída.

Caso esse cenário se tornasse real, e como está previsto nos regulamentos, é a própria FIFA a decidir qual a Federação que ocupa a vaga e é aqui que surge a Itália, que se encontra na pole position como principal opção para ocupar a vaga do Peru, caso o país sul-americano seja mesmo excluído, à frente do Chile e da Holanda. E o Tuttosport, um dos principais jornais desportivos transalpinos, já deu conta disso mesmo.