Bloco de Esquerda

Mortágua critica Centeno por usar “retórica da direita”

Mariana Mortágua lamenta que ministro das Finanças tenha falado em "saber merecer", falando sobre as reposições de rendimentos. Sobre Marcelo, especula que Presidente quer promover um bloco central.

MIGUEL A. LOPES/LUSA

A dirigente do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua lamenta que o ministro das Finanças, Mário Centeno, tenha falado em “saber merecer”, falando sobre as reposições de rendimentos. É a “retórica do país a viver acima das suas possibilidades”, acusa Mariana Mortágua, numa entrevista ao Público e à Rádio Renascença em que também acusa Marcelo Rebelo de Sousa de querer promover a criação de um bloco central em Portugal.

Centeno está a aparecer com uma “retórica da direita, perigosa e moralista”, acusa Mariana Mortágua. É a “retórica que a direita usou para justificar a austeridade – que é a retórica do país acima das suas possibilidades”.

É uma retórica que cola muito bem à ideia de que direitos em excesso podem provocar crise. E é uma ideia perigosa, que nos diz que quando a crise vem a culpa é dos trabalhadores e não de um sistema económico e financeiro que é demasiado instável. E foi isso que aconteceu na crise de 2007 quando, de repente, uma crise financeira foi apagada do mapa e se veio dizer às pessoas que a culpa era delas. Delas aqui, na Grécia, na Irlanda, em Espanha e na Itália. Em todos os países a história foi a mesma: os preguiçosos do Sul, demasiados privilégios”.

Na opinião de Mariana Mortágua, Mário Centeno tem vindo a comportar-se como alguém que “entende e reproduz em Portugal os condicionalismos e as regras que são as regras europeias”. “Nós discordamos desta visão demasiado focada numa política de restrição orçamental e achamos que o país tem crescido quando é possível recuperar rendimentos, direitos, quando é possível dar uma folga à economia para investir”, atira Mariana Mortágua.

Achamos que há coisas que é necessário fazer ainda. Nomeadamente no mercado laboral – o mundo do trabalho foi muitíssimo atacado, a precariedade grassa no nosso país, os salários crescem menos do que a produtividade. E é necessário investir em serviços públicos – e é preciso dizer que o que está a ser executado não é o necessário, o que cria brechas. É preciso muito mais. Nestes aspectos, ambos muito condicionados por esta visão profundamente ideológica que tem a Comissão Europeia acerca do desenvolvimento das economias, Mário Centeno está de acordo com este enquadramento. E temos divergências que nos fazem questionar o caminho orçamental.

Sobre a questão orçamental mais controversa do momento, a reposição das carreiras dos professores, Mortágua defende que “ao começarmos a repor rendimentos e devolver direitos não podemos fazê-lo ignorando os direitos que foram congelados nesse período”.

No caso específico das carreiras, o que foi reivindicado pelos professores e pelos trabalhadores da AP é simplesmente poder ser reposicionado de acordo com os anos que trabalharam. É uma reivindicação legítima – e tem que ter reflexos no âmbito desta legislatura”.

A deputada do Bloco de Esquerda lembra que “o descongelamento das carreiras estava no acordo” que viabilizou o apoio parlamentar dos partidos da esquerda ao PS. “A proposta do BE diz que tem que acontecer no âmbito da legislatura, até 2019. A partir daí entendemos que a negociação tem que ser feita com os sindicatos. Respeitamos essas negociações – que estão a acontecer. Achamos que a nossa proposta no Parlamento contribuiu para que o Governo se sentasse à mesa com os sindicatos, para procurar chegar a uma solução. Estamos a acompanhar muito de perto, preocupados com a situação, mas não nos queremos sobrepor ou substituir a essas negociações”, remata a deputada.

Sobre Marcelo Rebelo de Sousa, que também comentou esta semana que não podemos achar que podemos voltar aos anos antes da crise, Mortágua diz que sempre lhe “pareceu que o Presidente e a sua ideia seria a ideia de reconstituição de um Bloco Central, para além de questões mais conjunturais”. Quando houver mudanças no PSD, “entre outras coisas”, é “expectável que essa aproximação venha a ser cada vez mais evidente no futuro”. E será que o PS vai cooperar nesse esforço? “Tudo dependerá da relação de forças. Não há cartas marcadas neste jogo, dependerá da força que cada partido tiver no futuro”.

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