Seria apenas mais um Conselho Nacional do PSD, típico em vésperas de votação de Orçamento do Estado, mas teve uma simbologia especial: foi o último de Passos Coelho como presidente do partido. Na despedida, o líder não abdicou de fazer um auto-elogio ao seu legado: “Deixámos o país incomparavelmente melhor do que nos entregaram“. Na intervenção inicial, à porta fechada, o presidente atacou um Governo “sem rumo” e recusou-se a dar como perdidas para António Costa as legislativas de 2019: o seu sucessor, disse, “ainda tem tempo para criar uma alternativa” ao atual Governo.

Passos Coelho disse aos conselheiros do PSD que o atual Governo está desorientado, pois “perdeu o rumo desde a tragédia de Pedrógão [Grande] e não mais conseguiu retomar“. Uma das provas dessa desorientação, segundo Passos, é a confusão na transferência do Infarmed para o Porto. O líder do PSD considera que a gestão que o Executivo socialista tem feito deste dossiê “mete dó“. Outro dos exemplos dado por Passos Coelho é a questão dos efeitos da seca no preço da água: de manhã o aumento do preço da água era uma possibilidade para o ministro, mas o governante acrescentaria, à tarde, que em 2018 não haveria esse aumento (embora o admitisse no futuro).

Sobre o descongelamento das carreiras na função pública, Passos repetiu a ideia que já tinha veiculado numa newsletter do partido, lembrando que foi um Governo socialista e não o seu que decidiu congelar as carreiras. Num Conselho Nacional que terminou mais cedo do que o habitual, com menos de duas horas de duração, meia hora foi para a intervenção de Passos Coelho. O presidente do PSD fez ainda questão de denunciar uma série de cortes nos serviços públicos, com contas feitas pelo PSD: de 29% na Saúde; 60% no ensino básico e secundário; e 48% no Ensino Superior e Ciência.

Nem o crítico do costume, Luís Rodrigues, falou desta vez. Ao Observador, já depois da reunião, confessava que ao longo destes anos “raramente” esteve de acordo com Passos Coelho, mas que o líder cessante foi um “bom presidente” e que “sempre foi melhor primeiro-ministro do que o atual”.

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Com poucas intervenções, o deputado Duarte Marques foi dos poucos que se referiu à disputa interna. Lembrando que apoia Santana, Duarte Marques apelou a que “os três presidentes” (Passos, Santana e Rio) que o PSD vai ter nos próximos dois meses se concentrem em atacar o Governo de António Costa. Ou seja: que aproveitem o espaço mediático para atacar o executivo. Pediu ainda que todos apoiem, daqui a três meses, o líder eleito. Seja ele quem for.

As eleições diretas do PSD realizam-se a 13 de janeiro e o Congresso do PSD entre 16 e 18 de fevereiro de 2018.