A japonesa Toyota, o maior construtor mundial em tempos não muito distantes, tornou-se um barco demasiado grande de levar, face às novas tecnologias que ameaçam transformar o automóvel, assim como à entrada em cena de companhias que, até há pouco, nada tinham a ver com esta área. Desafios que, acredita o presidente da Toyota, só serão superáveis mudando a cultura da empresa e fazendo do construtor a maior… pequena startup do mundo.

Segundo avança a Automotive News Europe, a nova estratégia passa pela ligação a parceiros externos, seja através do investimento em pequenas tecnológicas e startups, ou até mesmo por intermédio de parcerias com outros fabricantes automóveis.

Unir para evoluir

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O gigante nipónico colocou em prática programas como o Toyota NEXT, investindo em pequenas mas promissoras startups japonesas, como a Giftee, a Nightley ou a Ateam, procurando aproveitar o seu know-how. Ao mesmo tempo, tem vindo a estabelecer parcerias com construtores como a Mazda ou a BMW, no sentido de desenvolver, em conjunto, novas soluções.

Para agilizar os processos de decisão, por um lado, e para libertar a criatividade, por outro, o presidente Akio Toyoda decidiu ainda separar a empresa-mãe em várias unidades mais pequenas, capazes de actuar de forma autónoma, procurando replicar assim a forma de funcionar de centros de inovação como Silicon Valley e as suas muitas startups.

A Toyota tornou-se demasiado grande para responder, com a rapidez necessária, às diferenças mudanças que vão acontecendo no sector empresarial. Razão pela qual tivemos de encontrar formas de repensar o nosso funcionamento”, explicou, durante o lançamento da estratégia para o próximo ano, o presidente. “Mais do que continuarmos obcecados em fazermos tudo nós próprios, estamos sim a tentar promover a competitividade, através de parcerias.”

Mesmo em termos de prioridades, a Toyota assume agora um foco bem diferente. Aponta a inteligência artificial, os serviços online, o tratamento de grandes quantidades de informação, as unidades de tracção electrificadas e os sistemas de condução autónoma como os desafios imediatos.

“Estamos a tentar aplicar tecnologias que, até aqui, não eram utilizadas em automóveis”, refere, por seu lado, o chairman Takeshi Uchiyamada. Reconhecendo que esta é “uma corrida contra o tempo, face à inovação em que vivemos”. Motivo pelo qual a Toyota afirma que pretende “trabalhar com outras companhias, de forma a aproveitar as suas capacidades, em determinados campos”.