Um fosso. Foi essa a resposta do regime de King Kong-un à fuga de Oh, um militar de 24 anos que cruzou a fronteira e fugiu para o lado sul-coreano, a 13 de novembro. A foto de militares norte-coreanos a escavar o buraco foi partilhada nas redes sociais por um diplomata norte-americano.

Segundo a BBC, a trincheira que o encarregado de negócios dos EUA em Seul viu ser aberta servirá para que os próprios militares norte-coreanos não repitam os erros observados quando perseguiam Oh e tentavam impedir que o militar alcançasse território sul-coreano.

Nas imagens em que ficou registada a fuga, é possível ver que, durante a perseguição a Oh, os militares de Pyongyang cometem duas violações ao armistício de 1953, assinado entre os dois países. Primeiro, disparam na direção do território sul-coreano tentando atingir Oh — e conseguem-no, por quatro vezes. Segundo, durante a perseguição, um dos militares chega a cruzar a fronteira entre os dois países.

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Depois, apercebe-se — ou é alertado por outros militares — da violação e regressa rapidamente à Coreia do Norte. Naquele ponto, não há barreiras físicas entre os dois países.

A trincheira pode servir dois propósitos: impedir violações do armistício e dificultar a travessia de mais militares que tentem a fuga — se não se tivesse despistado antes de chegar àquele ponto, o jipe conduzido por Oh poderia ter cruzado a linha de fronteira entre os dois países.

A Coreia do Norte também terá mudado todos os militares que estavam de guarda àquela zona da fronteira. De acordo com uma fonte do Governo sul-coreano, citada pelo jornal Chosun, foram detetados “sinais de que todos os guardas da área de segurança conjunta foram substituídos depois da fuga”. “Parece que os guardas estão a ser considerados responsáveis”, acrescenta.

A mudança afeta entre 35 e 4o militares, incluindo oficiais. A Ponte das 72 Horas — por onde Oh passou e assim batizada pelo tempo que levou a ser construída — também terá sido encerrada. “O Norte parece estar a apertar o controlo de militares que chegam à zona de segurança conjunta e que saem dali ao instalar um portão que pode ser fechado”.

Do lado sul da fronteira, os seis militares americanos e sul-coreanos que ajudaram a recuperar Oh (que estava ferido, inconsciente e prostrado junto a um muro) foram condecorados com uma medalha do Exército americano.