Uma onda de abusos e maus tratos contra crianças, na China, está a causar choque no país. Depois de uma creche em Xangai ter sido denunciada com vídeos a mostrar os maus tratos a crianças, agora foi a vez de um jardim de infância em Pequim. Os funcionários são acusados de dar injeções e de alimentar as crianças a medicamentos. Há pais que dizem que os filhos receberam injeções e que alegam possíveis abusos sexuais, já que as crianças eram obrigadas a ficar nuas.

O caso trouxe indignação tanto por parte dos pais como também por parte da restante população chinesa. As autoridades estão agora a investigar a creche, que faz parte da conhecida cadeia RYB Education, e a realizar um controlo de segurança nas creches da capital.

De acordo com a BBC News, pelo menos oito crianças foram forçadas a ficar nuas, o que leva os pais a acreditar que podem ter acontecido abusos sexuais por parte dos funcionários.

Os alunos desobedientes eram forçados a ficar nus ou eram trancados numa sala escura do jardim de infância”, disse um dos pais aos meios de comunicação social locais.

Para além de as obrigarem a permanecer nuas durante longos períodos, os professores e auxiliares davam medicamentos às crianças antes da hora da sesta. As acusações não ficam por aqui: os pais contaram que encontraram marcas de agulhas nos corpos dos filhos nos últimos dias, o que os leva a crer que os auxiliares davam injeções às crianças para “as disciplinar”.

Esta quinta-feira, vários pais reuniram-se à porta da creche para protestar contra as atrocidades que têm vindo a ser cometidas e as redes sociais focam agora a sua atenção neste caso.

A polícia apreendeu imagens das câmaras de vídeo, o que levou três professores a serem suspensos. Numa das redes sociais mais populares da China, a Sina Weibo, muitos utilizadores expressaram a sua indignação contra os educadores e exigiram explicações sobre o sucedido. “Suspensão? Isso é muito fácil”, disse um utilizador.

Muitos afirmam que as discussões na rede estão a ser censuradas e o site FreeWeibo, que acompanha a censura na internet, descobriu que a palavra “Honghuanglan”, o nome desta creche específica, foi censurada. Um utilizador diz que depois disto, “não interessa as explicações que dão porque vai ser difícil acreditar. Eles estão a perder a confiança do público passo a passo.” A RYB Education já emitiu uma declaração, afirmando que está a cooperar com a polícia.

Pedimos desculpas profundas por esta situação, que trouxe graves preocupações aos pais e à sociedade. Se algum erro for encontrado, vamos assumir a responsabilidade. E também reportamos à polícia algumas acusações falsas que foram feitas contra nós”,lê-se no comunicado.

Há já relatos de que a polícia confirma que as marcas nos corpos das crianças coincidem com as picadas de injeções. Uma vez que a questão está na ordem do dia, as autoridades anunciaram rapidamente que vão iniciar um controlo nas pré-escolas da capital. Patrick Poon, um ativista pertencente à Amnistia, em Hong Kong manifestou-se no Twitter, dizendo que é necessária uma investigação particular.

No ano passado, quatro professores de uma creche da RYB foram presos por abuso, envolvendo inclusive a situação das injeções. Na altura, uma agência estatal de notícias anunciou que uma das crianças tinha mais de 50 marcas de agulhas no corpo. A RYB Education é uma das mais prestigiadas cadeias de educação infantil na China, tendo sido cotada na Bolsa de Valores de Nova Iorque, no mês de setembro.