Pelo menos sete pessoas morreram num confronto entre a polícia militarizada e narcotraficantes na zona portuária do Rio de Janeiro na passada madrugada, informaram neste sábado fontes oficiais. O incidente ocorreu na favela de Cajú, situada na zona norte do Rio de Janeiro, quando agentes da polícia militarizada se deslocaram ao local após serem alertados de um confronto armado entre grupos de narcotraficantes rivais pelo controlo dessa zona da cidade.

Foi cerca das 2h da madrugada que o alerta foi dado: pelo menos 30 traficantes da fação Comando Vermelho (CV) tinham tentado invadir a favela do Cajú, sob controlo da fação Amigos dos Amigos (ADA). “Quando chegámos ao Cajú já estava acontecendo um confronto entre os traficantes. Uma criança de seis anos havia sido baleada de raspão no braço e já tinha sido encaminhada ao Hospital Souza Aguiar”, explicou Mauro Flies, comandante do Batalhão de Choque.

Em comunicado, a polícia militarizada assegurou que os agentes foram visados por disparos, apesar de não ter especificado se as vítimas foram mortas por disparos da polícia ou pelo grupo rival. Na mesma operação foram detidas 11 pessoas e apreendidas sete armas, 790 munições de vários calibres, quatro granadas, dois radiotransmissores e coletes à prova de bala.

O estado do Rio de Janeiro regista uma vaga de violência com um balanço de mais de 4.000 homicídios desde o inicio desde ano, em particular na região metropolitana da capital estadual, segunda maior cidade do Brasil. A crise de segurança forçou o presidente brasileiro, Michel Temer, a enviar 10.000 militares para reforçar a segurança no Rio de Janeiro, prevendo-se que permaneçam na região até finais de 2018.

A vaga de violência também já vitimou pelo menos 120 polícias, a maioria assassinados quando estavam fora de serviço. A crise de segurança foi impulsionada pelos graves problemas económicos na cidade e que obrigou as autoridades regionais a declarar o estado de calamidade financeira pouco antes da inauguração dos Jogos Olímpicos, em 2016.