Derrick Rose nasceu e foi criado em Englewood, uma das zonas mais perigosas da parte sul de Chicago, e foi em jogos de bairro de basquetebol que mostrou ter qualquer coisa de especial, aquele toque com que só alguns são abençoados. Por isso, e percebendo que podia fazer carreira, a mãe tentou sempre proteger o mais novo dos três filhos, fazendo tudo para evitar um caso bem conhecido nessa altura na cidade: Ronnie Fields.

Ronnie Fields era daqueles miúdos que caía no goto à primeira observação. E chegou a ser companheiro de Kevin Garnett, na Farragut Academy de Chicago. Quando ficou sozinho, tornou-se o líder da equipa e1996 seria o ano dele no draft. Seria, mas não foi: um brutal acidente de viação provocou-lhe uma grave fratura no pescoço e, quando estava a recuperar, acabou por ser impedido de entrar na faculdade por se ter admitido culpado num caso de abuso sexual. O talento era evidente, mas nunca chegou a entrar na NBA.

Rose fugiu aos maus caminhos, passou pela Universidade de Memphis e foi a primeira escolha do draft de 2008 pelos Chicago Bulls. No primeiro ano, o base foi considerado rookie do ano; em 2011, já depois de se tornar um indiscutível no All-Star Game, recebeu o prémio de MVP da NBA e chegou à final da Conferência Este com os Miami Heat. No ano seguinte, no primeiro jogo do playoff, lesionou-se com gravidade no joelho esquerdo, contraindo uma rotura do ligamento cruzado anterior que o deixou de fora toda a temporada de 2012/13. Começava aí a queda daquele que, na altura, era um dos melhores e mais cobiçados jogadores da competição.

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No ano passado, deixou os Chicago Bulls e passou para os New York Knicks; agora, aceitou juntar-se à super equipa dos Cleveland Cavaliers, com LeBron James, Kevin Love, Isiah Thomas, Dwayne Wade e tantos outros. Começou bem, com 14 pontos no duelo com os Boston Celtics de Kyrie Irving, mas voltou a ceder às lesões (agora um problema no tornozelo) e falhou 11 dos primeiros 18 jogos da época. Afastou-se da equipa. E pode mesmo abandonar a carreira com apenas 29 anos.

“Ele está cansado das lesões, está a pagar um preço altíssimo no plano psicológico”, referiu uma fonte próxima de Rose à ESPN, numa frase que não demorou a circular.

Desde aquela primeira lesão no joelho quando estava nos Bulls, em 2012, o base, que se afastou até das pessoas mais próximas de si na NBA, jogou apenas 237 dos 412 encontros possíveis da fase regular. “Não sei o que vai acontecer, não tenho uma máquina do tempo. Quero que ele tenho o tempo dele, porque é uma questão pessoal e só queremos que ele esteja bem. Ele é muito talentoso, como vimos já esta época. Que demore o que precisar, só queremos que fique bem e que regresse”, comentou o treinador Tyronn Lue à ESPN.

Por causa do teto salarial dos Cavaliers, Rose assinou por uma temporada a troco de 2,1 milhões de dólares, naquilo que é denominado como contrato mínimo de veterano. No entanto, há um outro contrato chorudo do base: em fevereiro de 2012, vinculou-se até 2025 com a Adidas a troco de 185 milhões de dólares, que podiam chegar aos 260 milhões caso atingisse uma série de objetivos (ser campeão, MVP, melhor marcador etc.).

A marca alemã, que apostou forte no jogador como principal referência na NBA, saiu a ganhar e muito com o acordo quando o assinou pela primeira vez (um milhão por época, desde 2008), mas começou a perder após a grave lesão do jogador no joelho, pouco meses depois da milionária renovação. Ainda assim, manteve sempre o seu acordo. E está agora blindada para a eventualidade de Derrick Rose abandonar a carreira de forma precoce: afinal, existem 80 milhões de dólares em jogo. Que, mesmo assim, podem não ser suficientes…