O primeiro-ministro defendeu esta terça-feira o ‘casamento’ entre coesão e competitividade na Europa, sem o dogma de haver um “teto de 1%” do Produto Interno Bruto da União Europeia porque há novas necessidades e menos recursos.

“Como tem sublinhado a Comissão [Europeia] não há nenhuma razão para aceitarmos como um dogma que há um teto de 1% do nosso produto para o cálculo dos recursos da UE. Se temos de ter mais ambição, temos de ter o financiamento correspondente. Não há nenhuma razão para limitar a nossa ambição a um dogma não escrito nos tratados, não previsto em qualquer ato comunitário. Portanto, deve haver a vontade política estabelecida à medida da ambição que a Europa tem”, disse.

António Costa discursava num evento sobre a estratégia portuguesa para a próxima década, em Lisboa, e alertou para a necessidade de preparar antecipadamente o próximo quadro comunitário de apoios (2030), em virtude das realidades recentes como o “Brexit” (saída do Reino Unido da UE) e consequente escassez de meios e a criação de outras políticas como as de segurança, de defesa e relativas às migrações.

O líder do executivo socialista sublinhou ter de haver um “olhar diferente” em termos quantitativos e de desenho dos fundos comunitários, dando especial atenção ao “pilar social”.

“Daquilo que precisamos é de uma sociedade com mais coesão onde possa haver uma economia globalmente mais competitiva. Para isso, temos de conseguir casar competitividade e coesão. Temos de ser capazes de incorporar em cada uma destas novas medidas e das políticas tradicionais um novo conceito fundamental – o valor acrescentado dos projetos europeus. É a convergência, que permite reforçar a unidade da Europa na sua diversidade e permite a cada um contribuir à sua medida para uma Europa mais coesa internamente e mais competitiva externamente”, afirmou.

António Costa abriu assim o ‘workshop’ (oficina intelectual) Estratégia Portugal 2030″ no Teatro Thalia, Lisboa, que reúne diversos especialistas internacionais sobre vários temas: desafio demográfico, digitalização, urbanização e mobilidade ou uso de recursos e economia circular.