Num mercado cada vez mais caracterizado pela crescente procura de SUV, de todos os tamanhos e feitios, a Mitsubishi lança o Eclipse Cross, um Sport Utility Vehicle que assume uma forma mais próxima dos coupés, devido à traseira mais inclinada, solução menos vulgar entre construtores generalistas. Esta marca japonesa, muito conceituada entre os modelos com vocação para o todo-o-terreno, é hoje o mais recente elemento da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, mesmo se o novo Eclipse Cross já estava praticamente pronto antes que Ghosn, CEO da Renault, da Aliança e agora também deste fabricante japonês, assumisse as rédeas do construtor nipónico.

Um SUV mais ágil, com espírito de coupé

O Eclipse Cross é dos últimos a chegar ao mercado, mas fá-lo com alguns trunfos na manga. Posicionando-se entre o SUV mais pequeno ASX e o maior Outlander, o novo modelo vai disputar o segmento médio do mercado, precisamente o que mais vende na Europa e que inclui modelos como o Nissan Qashqai (o líder das vendas), com 4,405 m de comprimento e 2,67 m de distância entre eixos.

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Se a estética retoma algumas soluções típicas da marca, como a grelha com elementos horizontais cromados, similar à utilizada no Outlander, introduz também outros arranjos mais modernos, como os elementos quase verticais, igualmente em cromado e associados aos generosos faróis de nevoeiro, herdados do protótipo XR-PHEV II que surgiu em 2015, no Salão de Genebra. A frente respeita o ar robusto a que este tipo de veículos nos habituou, com a zona inferior do pára-choques a recordar as tradicionais protecções de cárter, sensação que se prolonga pela lateral, onde surgem as embaladeiras destinadas a proteger a parte inferior do chassi em incursões fora de estrada, papel que é também desempenhado pelos plásticos em torno dos guarda-lamas.

Mas é atrás que surgem as principais diferenças do Eclipse Cross face aos concorrentes, tudo devido a um pilar traseiro bastante inclinado – o que confere ao modelo o tal ar mais dinâmico, típico dos coupé – e a um duplo vidro traseiro, para ajudar na visibilidade.

Para reforçar a sensação de qualidade a bordo, a Mitsubishi dedicou algum tempo – e dinheiro – a melhorar as características da carroçaria, por um lado recorrendo a 55% de aços de alta resistência, o que permite incrementar a rigidez torcional sem recorrer a chapa mais grossa e, logo, mais pesada. Outra das melhorias incidiu sobre a o método de soldadura, que passou a ser realizado com a ajuda de uma fita adesiva específica nas aberturas para as portas e portão traseiro, que persegue uma robustez superior à tradicional soldadura por pontos. Mais uma vez, a optimizar a rigidez torcional, para que o veículo se torne menos ruidoso, revelando menos vibrações e melhor comportamento.

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Interior sóbrio e com muitas ajudas ao condutor

Uma vez dentro do novo Mitsubishi, continua a ser fácil apercebermo-nos que estamos a bordo de um veículo da marca, mas a verdade é que nada é herdado de modelos já existentes. O painel de instrumentos é legível e o volante inclui uma série de botões para accionar determinados sistemas sem daí retirar as mãos.

Ao centro, sobre o tablier, surge um ecrã de fácil leitura, destinado a associar-se facilmente ao smartphone de cada um, sejam ele operado por Android ou IOS. E é este display que permite controlar uma série de dispositivos, do sistema de navegação ao som, ou qualquer outra solução multimédia, uma vez que a ventilação foi deslocada para baixo, para se tornar mais fácil de regular.

Além do head-up display, do touch pad para controlar o ecrã central e os sensores de estacionamento, os condutores do Eclipse Cross podem ainda contar com uma série de funções destinadas a facilitar a sua função ou, pelo menos, torná-la mais segura. Referimo-nos ao cruise control adaptativo, aos avisadores de abandono involuntário de faixa de rodagem e de ângulo morto, além do sistema de travagem de emergência, destinado a reduzir os riscos de um embate no carro da frente no trânsito citadino, e o alerta de um veículo a aproximar-se nas manobras em marcha-atrás.

O habitáculo é generoso em matéria de espaço, para a classe, e quem se senta no banco posterior pode sempre optar por deslocar o seu assento 20 cm para a frente ou para trás, se a sua ideia for usufruir de mais espaço para as pernas, além de poder regular igualmente a inclinação das costas do assento. Este avançar e recuar do banco traseiro tem consequência no espaço para bagagens, com o volume da mala a variar entre 341 e 448 litros.

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Motores novos e, em breve, híbridos

Também no que respeita à mecânica, o novo SUV da Mitsubishi traz uma série de novidades. Para começar, o novo motor 1.5T a gasolina, que recorre a um pequeno turbocompressor, injecção directa e distribuição variável, tudo para conseguir um rendimento de 163 cv e um consumo de apenas 6,6 l/100 km. Esta unidade motriz pode surgir acoplada a uma caixa manual de seis velocidades ou, em alternativa, uma automática CVT (de variação contínua, mas com oito “velocidades” pré-determinadas), sendo ainda passível de ser associado à tracção às rodas da frente, ou a um sistema 4×4.

O motor turbodiesel 2.2 DI-D de 150 cv já era nosso conhecido, apesar de beneficiar aqui de algumas melhorias relacionadas com a redução da fricção, sendo que outra novidade, a estar disponível só no final de 2018, é uma motorização PHEV, ou seja, um híbrido plug-in, neste caso ligado ao 1.5T a gasolina. Não é ainda conhecida a potência do motor eléctrico e muito menos até onde o deixa ir a bateria, em termos de autonomia, mas será sempre uma vantagem em termos de força, capacidade de aceleração e redução dos consumos, especialmente naquele período inicial em que a bateria ainda está carregada, a ponto de lhe permitir percorrer um mínimo de 50 km em modo exclusivamente eléctrico.

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Quando chega a Portugal e por quanto

Tendo Abril do próximo ano como data prevista para a chegada ao mercado nacional, é ainda para muito cedo para se conhecerem alguns detalhes do modelo, especialmente relacionados com os preços das diferentes versões e motorizações. Sabe-se, isso sim, que a comercialização do novo modelo arrancará com a versão 1.5T de 163 cv, capaz de levar o SUV até aos 205 km/h (200 na versão 4×4), depois de passar pelos 100 km/h em 10,3 segundos (9,8), tudo isto com um consumo médio de 6,6 litros (7,0). O preço desta versão a gasolina será, segundo o importador da marca para o nosso pais, alinhado pelo do Hyundai Tucson, o que deixa antever preços a partir de 28.000€. Contudo, o SUV coreano oferece um motor 1.5 a gasolina com apenas 132 cv, que anuncia 182 km/h e 11,5 segundos de 0-100, valores bem menos entusiasmantes do que o novo Mitsubishi. O mesmo acontece em relação ao Nissan Qashqai, que na versão a gasolina mais acessível disponibiliza uma unidade sobrealimentada com 1,2 litros e 115 cv, que é capaz de 185 km/h e 10,6 segundos de 0-100, longe portanto do novo Eclipse Cross. Mas como neste segmento o grosso das vendas se concentra nos diesel, é mais que provável que o Eclipse Cross não atinja todo o seu potencial comercial enquanto não oferecer uma versão a gasóleo e PHEV. Se pretender consultar as características técnicas, veja aqui.

O Eclipse Cross diesel, que só pode estar acoplado a uma caixa automática convencional, com conversor de binário, e ao sistema 4×4, deverá estar disponível apenas no final de 2018, sensivelmente na mesma data em que passará igualmente a ser comercializada a versão PHEV do novo SUV da Mitsubishi. E se o motor 1.5T de 163 cv promete ser o mais acessível, é o híbrido plug-in que deverá assegurar o menor custo por quilómetro, especialmente após as ajudas do Estado específicas para as empresas.