Este ano, 175 caixas ATM foram destruídas e cerca de dois milhões de euros foram roubados, segundo fontes que estão a acompanhar o processo e às quais o Diário de Notícias se refere. As medidas para prevenir estas ocorrências, propostas pelas polícias em 2012 na sequência de uma onda de assaltos, não foram cumpridas.

Só em maio deste ano, depois de a vaga de assaltos ter atingido um número alarmante, a ex-ministra da Administração Interna , Constança Urbano de Sousa, aprovou e publicou o despacho que obriga os bancos ao cumprimento de um conjunto de medidas de segurança.

Entre as medidas indicadas pelas polícias estão a instalação dos sistemas de tintagem de notas, que consideram ser a medida mais eficaz, a obrigatoriedade de os bancos pedirem avaliação de risco à GNR e PSP relativamente ao local onde querem instalar o ATM, cumprimento de determinados mecanismos de prevenção como a instalação de videovigilância, a ancoragem dos equipamentos ao chão e um sistema inibidor do gás utilizado pelos assaltantes nas explosões.

Quanto aos sistemas de tintagem, os bancos resistem à sua implementação devido ao “investimento pesado”. Na semana passada, o ministro Eduardo Cabrita juntou as forças de segurança, a Associação Portuguesa de Bancos (APB) e a SIBS, empresa que gere a rede que liga os equipamentos da rede multibanco, e exigindo soluções.

Contactadas pelo DN, a APB e a SIBS não responderam a questões como o ponto de situação da aplicação das medidas, o número de caixas com sistema de tintagem nem sobre o investimento necessário para aplicar os mecanismos de prevenção. Contudo, a SIBS mostra-se “naturalmente muito preocupada com o aumento deste tipo de criminalidade, verificado recentemente”.

A empresa “reforça que o fenómeno de ataques à rede multibanco é fundamentalmente um problema de segurança pública, pelo que considera, juntamente com os bancos e as autoridades policiais, que a prevenção se configura como uma diligência fundamental no combate a este tipo de criminalidade”, acrescentando que os bancos têm vindo a investir em algumas medidas de segurança como a “implementação dos sistemas de tintagem de notas e de fixação ao solo”. Fontes policiais garantiram que a percentagem de equipamentos protegidos “é um número muito reduzido”, admitindo que “não chegarão aos 50%”. De acordo com o DN, o investimento a fazer é grande – cerca de dois mil euros por ATM -, contudo a despesa pode descer para metade se se aplicar ao total das caixas existentes.

A SIBS destaca que no primeiro semestre de 2017, em 86 ataques, “apenas 29 foram concretizados” e que isso já “demonstra o sucesso”, tendo diminuído 2% – os restantes 57 foram tentativas mas acabaram por destruir os ATM. Segundo o relatório anual de segurança interna, em 2016 houve um total de 116 roubos a ATMs, um aumento de 64,8% em relação a 2015 (70).

Para as forças de segurança, estes métodos reduziriam, se não mesmo acabariam, os assaltos, como já tinham concluído em 2012. A recente morte de uma mulher, na sequência de uma perseguição pela PSP a suspeitos de terem explodido e assaltado um ATM em Almada, fez soar os alarmes do recém-chegado ministro da Administração Interna. Eduardo Cabrita tem estado empenhado em encontrar um ponto de equilíbrio entre o que pedem as polícias e o que os bancos aceitam fazer e, ao que o DN apurou, o ministro tem dado sinais de estar mais sensível aos argumentos das forças de segurança – “aquilo que é fundamental é que haja uma resposta a uma situação recorrente de assaltos a ATMs”.