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Questionário de Proust. O teste de 40 perguntas para se conhecer melhor (e aos outros)

Este artigo tem mais de 4 anos

Em 1886, Antoinette Faure e Marcel Proust responderam a um teste de personalidade com 40 perguntas. Acreditavam que era a única maneira de mostrarem a "verdadeira natureza" um ao outro. Faça-o aqui.

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Getty Images/iStockphoto

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Não tinha muitos amigos. Depois de um ataque de asma que teve aos nove anos, Marcel Proust começou a passar férias num ambiente quase hermético na pequena aldeia de Illiers, protegido pelo pai, um famoso patologista do século XIX que se popularizou por causa das investigações sobre a cólera, e pela mãe, descendente de uma família muito rica da Alsácia. Era com as memórias dessa aldeia que Marcel Proust viria a escrever a obra mais prestigiada que lhe é conhecida, “Em Busca do Tempo Perdido”. E era nela que viria a desvendar mais sobre a sua “verdadeira natureza”.

Naquele ano de 1886, Marcel já tinha deixado o Liceu Condorcet por causa dos problemas de saúde. E apesar de ter uma relação muito próxima à mãe, tinha um ligação menos próxima com o pai, que insistia para que o escritor arranjasse uma carreira apesar das doenças que o tornavam incapacitantes. Ora durante a adolescência, Proust conviveu com Antoinette Faure, filha daquele que viria a ser o presidente francês Félix Faure. Um dia, Antoinette lançou um desafio a Marcel: preencher o livro “Confessions. An Album to Record Thoughts, Feelings, & c.“, uma espécie de confessionário em papel, famoso na época vitoriana que, dizia a rapariga de 15 anos, desvendaria a “verdadeira natureza” de quem respondesse às perguntas. Proust aceitou.

Para Antoinette Faure, as respostas de Marcel Proust não passariam de uma recordação dada aos amigos por quem o livro passasse. Preencheu-o em francês, embora o livro estivesse em inglês. E disse que se arrependia de “viver uma vida desprovida dos trabalhos dos génios”, que gostaria de viver “no país do Ideal, mais propriamente no país do Meu Ideal” e que o seu herói era “uma mulher genial a viver uma vida normal”. Mais tarde, aos 20 anos, Marcel Proust repetiu a experiência com o livro “Les Confidences de Salon“: disse que o seu principal defeito era “falta de entendimento, fraqueza nas vontades” e que gostaria de ser ele próprio”, mas como as pessoas que eu admiro gostavam que “fosse”.

Marcel Proust aos 20 anos. Wikimedia Commons.

Depois de Marcel Proust ter publicado “Em Busca do Tempo Perdido” — com memórias da casa do tio-avô, da aldeia de Illiers e das mudanças pelas quais o país tinha passado durante a consolidação da Terceira República Francesa –, as respostas de Marcel Proust popularizaram-se e o jogo também — ao ponto de agora se chamar “Questionário de Proust” e de ser usado como varinha mágica para conhecer a essência de alguém através das respostas.

Antes dele, no entanto, outro grande pensador já tinha respondido a perguntas deste género: em 1865, Karl Marx tinha dito que a sua característica mais vincada era “a singularidade de propósito”. E cinco anos mais tarde, Oscar Wilde escreveu no livro “Mental Photographs, an Album for Confessions of Tastes, Habits, and Convictions” que o traço mais distinto da sua personalidade era “a autoestima excessiva”.

Outros famosos responderam a estes questionários. Mas eles só se tornaram realmente famosos em 1924, dois anos depois da morte de Marcel Proust. Nesse ano, André Berge, psicanalista e filho de Antoinette Faure, descobriu o questionário respondido pelo escritor no monte de livros da mãe e publicou-o na revista de literatura francesa “Les Cahiers du Mois” com uma interpretação das respostas à luz da psicanálise de Freud. O artigo tornou-se tão famoso que as perguntas, que tinham sido criadas pelo jornal “La Revue Illustrée”, passaram a chamar-se “Questionário de Proust”.

Nos anos 50, as perguntas eram colocadas pelos jornais em entrevistas a escritores, músicos, atores e intelectuais. A tendência enraizou-se e, em 1975, o francês Bernard Pivot começou a colocá-las num segmento do programa “Apostrophes”, que tinha 6,4 milhões de telespectadores. O apresentador juntou ao formulário perguntas como: “Qual é a sua asneira favorita?” ou “Se Deus existisse, o que gostaria que ele lhe dissesse quando morresse?”. Em 1993, a Vanity Fair também adotou o questionário numa rubrica que foi respondida por nomes tão sonantes quanto Fran Lebowitz, Arnold Schwarzenegger ou Donald Trump.

Agora é a sua vez. Um pouco mais lá em cima vai encontrar 40 perguntas incluídas no Questionário de Proust — as 35 originais e outras cinco acrescentadas depois dos anos 20. Teste-o consigo mesmo — ou com as pessoas que gostava de conhecer melhor.

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