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Trabalho a mais leva trabalhadores a drogarem-se

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Um estudo dá o alerta: a indústria automóvel debate-se com um novo flagelo: o consumo de opióides. Culpa do tipo e horas de trabalho. As overdoses chegaram às fábricas e estão a matar cada vez mais.

Metanfetaminas, opióides, heroína - o vício bateu à porta das fábricas de automóveis nos EUA, entrou, e está a fazer estragos

Reconhecida durante várias décadas como um dos sectores industriais com maior capacidade de exportação e de peso significativo no PIB dos EUA, a indústria automóvel americana vive momentos bem menos exuberantes devido, segundo avança a Automotive News, ao flagelo do consumo de drogas entre os trabalhadores das fábricas. Algo que tem vindo a crescer e que, inclusivamente, tem levado a um aumento das mortes por overdose.

Um estudo levado a cabo pelo Instituto Nacional para o Abuso de Drogas dos EUA, revela que fábricas responsáveis por mais de 70% da produção dos construtores automóveis norte-americanos estão, hoje em dia, assinaladas pelos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças, por se encontrarem em estados onde, nos últimos anos, se tem vindo a assistir a um aumento considerável de mortes por overdose. Nomeadamente, face a 2015, último ano em que terão sido compilados números relativos a este flagelo.

FCA, Ford e GM são as mais atingidas

Entre as unidades fabris e construtores mais atingidos por este problema estão, segundo o mesmo estudo, a totalidade das seis fábricas que a Fiat Chrysler Automobiles (FCA) possui nos EUA, sete das unidades de produção da Ford Motor Company e oito das 12 linhas de produção da General Motors.

Fazem igualmente parte da lista completa três das quatro maiores fábricas automóveis no país: a unidade da Nissan em Smyrna, no Tennesse; a fábrica da Toyota em Georgetown, no Kentucky; e a da Honda, em Marysville, Ohio.

Trabalhos repetitivos e de muitas horas são motivo

Quanto a motivos para esta subida no número de funcionários viciados em opióides, o estudo refere não apenas ao tipo de trabalho que os empregados destas fábricas desenvolvem, quase sempre muito repetitivo e até perigoso, mas também os problemas de saúde daí resultantes, com grande parte a sofrer, com o tempo, de fortes dores no corpo – fruto de muitas horas na mesma posição, garantem os representantes dos trabalhadores.

Os trabalhadores fazem 8 a 11 horas por dia de trabalho”, afirma um representante dos trabalhadores na fábrica da Ford em Louisville, no Kentuchy. Salientando que “a linha de montagem é um local muito repetitivo, aborrecido, tedioso, onde se desempenha uma função que acaba por causar muitas dores no corpo.”

Não raras as vezes, “é o próprio médico que receita opióides para combater o problema”. O que, após um consumo prolongado, acaba por resultar numa dependência. “A partir daí, uma coisa leva à outra e vai ficando cada vez pior”, conclui o mesmo testemunho.

O consumo de drogas e o seu impacto mortal atingiram o meio industrial

Programas empresariais não resolvem

Conscientes desta realidade, os fabricantes automóveis criaram programas que visam ajudar os trabalhadores com dependências e distúrbios mentais. No entanto e segundo a Automotive News, essa resposta tem-se revelado inadequada para lidar com recuperações longas, como é o caso das dependências das drogas.

Por outro lado, os trabalhadores evitam recorrer a esses programas, com receio de assumirem a sua dependência e, assim, ficarem em risco de perder o emprego. Perante este cenário, os responsáveis defendem que só com um plano de saúde federal será possível debelar este problema, que está a colocar em causa uma das principais forças motoras da indústria norte-americana.

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