Seis semanas após os incêndios de 15 de outubro, o Governo recebeu 21 candidaturas a apoios à reconstrução de empresas e já aprovou três, com 700 mil euros, disse esta quarta-feira o ministro do Planeamento e das Infraestruturas.

“Neste momento, já temos mais de 20 candidaturas apresentadas, 21, o que em poucas semanas é muito bom e já temos três candidaturas aprovadas. A maior delas, de quase um milhão de prejuízos acumulados, foi despachada em 10 dias”, disse aos jornalistas Pedro Marques, no final de uma visita a duas empresas do concelho de Mortágua, distrito de Viseu.

“Naturalmente, as candidaturas mais pequenas conseguimos despachá-las mais depressa, as maiores, temos de ter mais cuidado, temos de fazer as peritagens e tudo o mais, mas temos as primeiras candidaturas aprovadas, mais de 700 mil euros de apoios aprovados”, indicou.

O ministro frisou que nas principais zonas industriais afetadas pelos incêndios de 15 e 16 de outubro, o Governo tem sentido uma “vontade enorme” dos empresários em avançarem com a reconstrução “e, sobretudo, de salvaguardarem postos de trabalho”, adiantando que “muitas” das cerca de 500 empresas afetadas já começaram a reconstruir as instalações quando ainda estão a tratar do processo de candidatura a apoios estatais.

Pedro Marques mantém a expectativa de que a verba de 200 milhões de euros anunciada pelo Governo – 100 milhões em apoio à reconstrução e outros 100 milhões da linha de crédito aprovada – chegue para apoiar as empresas afetadas pelos incêndios, “desde logo porque os seguros também estão a fazer a parte que lhes cabe”.

“Primeiro, como temos dito, entra sempre o pagamento daquilo que cabe aos seguros e, depois, obviamente, entrará o apoio público”, lembrou o ministro, frisando que, com o pagamento dos seguros e os 200 milhões disponibilizados, o Governo tem “todas as razões para acreditar que serão os montantes necessários” à reposição da atividade empresarial afetada pelos incêndios.

Sobre a burocracia inerente às candidaturas, apontada por alguns empresários, Pedro Marques frisou que todas as entidades envolvidas possuem “vontade de fazer melhor”.

“É uma questão de humildade, termos sempre presente a perspetiva de fazermos sempre o melhor possível. Eu, da parte de todos os autarcas e de todos os empresários com quem tenho falado, tenho visto muita vontade de reconstruir, muita vontade de salvaguardar postos de trabalho e, em todos os casos, com as autarquias e a CCDR [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional] temos estado a apoiar as entidades para fazerem as candidaturas”, observou Pedro Marques.

O ministro visitou esta quarta-feira em Mortágua a empresa de derivados de madeira Pellets Power, uma das maiores unidades industriais afetadas pelos incêndios de 15 de outubro, que possuía uma capacidade de produção de cerca de 100 mil toneladas anuais, 90% dedicadas à exportação e que foi quase totalmente destruída.

A empresa sofreu prejuízos estimados entre os 12 e os 15 milhões de euros, mas mantém o pagamento de salários aos 40 funcionários e, na próxima semana, entrega a candidatura aos apoios à reconstrução, disse o governante.

Antes, Pedro Marques visitou a Morpneus, uma firma de comércio e montagem de pneus, cujos sócios alugaram um novo espaço e voltaram ao trabalho, também salvaguardando os 10 postos de trabalho, enquanto procedem à reconstrução das instalações originais, cujo edifício teve de ser demolido.