O Abominável Homem das Neves, a criatura mitológica gigante dos Himalaias, não existe. Definitivamente. Esqueça. A análise de amostras de ossos, dentes, cabelo, pele e fezes atribuídas a nove espécimes de ‘Yeti’ revelou que afinal pertenciam a um cão e várias espécies de ursos.

As amostras utilizadas, recolhidas nos Himalaias e no planalto do Tibete, são provenientes de museus, entre os quais o Messner Mountain, em Itália, e coleções privadas, de acordo com o jornal El Español.

A investigação foi conduzida por uma equipa da Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos da América, e revelou então que um dos ‘Yeti’ correspondia, afinal, a um cão e os restantes oito a ursos-negros asiáticos, a ursos-pardos dos Himalaias e a ursos-pardos tibetanos.

Isto demonstra que a ciência moderna pode realmente tentar abordar alguns destes mistérios e questões não resolvidas”, disse Charlotte Lindqvist, especialista na genética dos ursos e coordenadora do estudo.

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Este não é o primeiro estudo realizado no âmbito desta matéria, contudo, Lindqvist afirma que os estudos feitos anteriormente se basearam em análises muito simples, sustentando que a investigação agora realizada representa “uma análise muito mais rigorosa”. Segundo a cientista, este estudo inclui “uma reconstrução filogenética de todo o genoma mitocondrial de vários ossos de ursos-negros e ursos-pardos”, segundo noticia o jornal El País.

Pegada do Abominável Homem das Neves, perto do Monte Evereste, em 1951.

Esta investigação trouxe informações valiosas sobre os ursos existentes nesta zona da Ásia – “destas nove amostras, oito coincidem com os ursos locais que hoje encontramos na região”, disse Lindqvist. Estas três espécies de ursos, coexistem na região, embora em diferentes altitudes, e todas estão ameaçadas ou em vias de extinção.

Os cientistas sequenciaram, assim, o ADN mitocondrial de 23 ursos asiáticos, incluindo os oito falsos ‘Yeti’, e compararam os dados genéticos com os de outras espécies de ursos. A análise, publicada no Proceedings of the Royal Society B, levou à conclusão de que os ursos-pardos do Tibete partilham um antepassado comum próximo com os ursos da América do Norte, da Europa e da Ásia, enquanto os ursos-pardos dos Himalaias pertencem a uma linhagem evolutiva diferente.

As nossas análises genéticas deixam claro que as amostras pertencem a ursos da região, o que sugere que o mito dos ‘Yeti’ tem a sua origem em factos biológicos relacionados com os ursos que hoje vivem ali”, afirmou Lindqvist.

A cientista, afirmou, segundo o jornal The Guardian, que duvida de que estas descobertas tragam um ponto final ao mito – “Estou certa, porém, de que a lenda e o mito viverão”.