No final do sorteio, o reputado jornalista Galvão Bueno vaticinou aquela que vai ser a final do próximo Mundial: Brasil-Argentina. E foi “xingado”por todas as perspetivas: por um lado, aqueles que alimentam mais essa grande rivalidade sul-americana questionaram como seria possível o conjunto de Messi e companhia passar a Alemanha (depois de Portugal ou Espanha) para chegar ao jogo decisivo; por outro, os mais pessimistas sentenciaram um possível jogo grande nos oitavos-de-final entre Brasil e… Alemanha, caso a equipa fique em segundo no grupo E.

Nem tanto ou mar, nem tanto à terra: o Brasil acabou por ter um sorteio simpático entre as opções disponíveis mas que nem por isso são favas contadas, porque Suíça, Sérvia e Costa Rica mostraram na qualificação que podem sempre atrapalhar as contas. E com cunho “português”: de Seferovic a Bryan Ruíz, passando pela dupla Fejsa-Zivkovic, a influência de jogadores a atuar na Primeira Liga neste grupo é grande.

Já passaram três anos e meio, mas não há uma única oportunidade em que, do nada, se relembre o que se passou naquele 8 de julho de 2014: a derrota por 7-1 com a Alemanha na meia-final do Mundial. Era a queda de um sonho, a queda de Scolari, a queda de um modelo de jogo. E o regresso de Dunga não foi a melhor opção, como se viu na Copa América e no início da qualificação. Depois, chegou Tite. E tudo mudou: com o treinador que tinha sido campeão no Corinthians, o Brasil conseguiu não só apurar-se rapidamente como estabilizar uma equipa consistente e que consegue tirar o melhor de Neymar, a grande figura da companhia. Depois dos quartos-de-final em 2006 e 2010 e das meias-finais em 2014, a canarinha volta a surgir no topo nas bolsas de apostas com uma defesa experiente, um meio-campo com dois médios centro a “agarrar” no jogo e um ataque com múltiplas soluções.

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Entre os restantes conjuntos, a Suíça fez uma fase de qualificação com apenas uma derrota, na deslocação ao estádio da Luz; a Sérvia passou em primeiro o seu grupo deixando para trás a Rep. Irlanda e o País de Gales; e a Costa Rica, mesmo não estando tão forte como há alguns anos, começa a ganhar tradição em Mundiais.

O BI do grupo E do Campeonato do Mundo em sete pontos

BRASIL
Alcunha: Verde-Amarela
Participações no Mundial e melhor classificação: 21.ª participação (campeão em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002)
Qualificação (América do Sul): 1.º lugar com 41 pontos em 18 jogos (Chile, 0-2 fora e 3-0 em casa; Venezuela, 3-1 em casa e 2-0 fora; Argentina, 1-1 fora e 3-0 em casa; Peru, 3-0 em casa e 2-0 fora; Uruguai, 2-2 em casa e 4-1 fora; Paraguai, 2-2 fora e 3-0 em casa; Equador, 3-0 fora e 2-0 em casa; Colômbia, 2-1 em casa e 1-1 fora; Bolívia, 5-0 em casa e 0-0 fora)
Treinador: Tite (brasileiro)
Estrela: Neymar (PSG)
Goleador: Neymar (PSG)
Promessa: Gabriel Jesus (Manchester City)

SUÍÇA
Alcunha: La Nati (A Seleção Nacional)
Participações no Mundial e melhor classificação: 11.ª participação (Quartos-de-final em 1934, 1938 e 1954)
Qualificação (Europa): 2.º lugar no grupo B com 27 pontos em 10 jogos (Portugal, 2-0 em casa e 0-2 fora; Hungria, 3-2 fora e 5-2 em casa; Andorra, 2-1 fora e 3-0 em casa; Ilhas Faroé, 2-0 em casa e 2-0 fora; Letónia, 1-0 em casa e 3-0 fora) e vitória no playoff (Irlanda do Norte, 1-0 fora e 0-0 em casa)
Treinador: Vladimir Petkovic (suíço)
Estrela: Granit Xhaka (Arsenal)
Goleador: Haris Seferovic (Benfica)
Promessa: Breel Embolo (Schalke 04)

COSTA RICA
Alcunha:
La Sele (A Seleção)
Participações no Mundial e melhor classificação: 5.ª participação (Quartos-de-final em 2014)
Qualificação (América do Norte e Caraíbas): 1.º lugar no grupo B da 4.ª fase com 16 pontos em 6 jogos (Haiti, 1-0 em casa e 1-0 fora; Panamá, 2-1 fora e 3-1 em casa; Jamaica, 1-1 fora e 3-0 em casa) e 2.º lugar da 5.ª fase com 16 pontos em 10 jogos (Trinidad e Tobago, 2-0 fora e 2-1 em casa; EUA, 4-0 em casa e 2-0 fora; México, 0-2 fora e 1-1 em casa; Honduras, 1-1 fora e 1-1 em casa; Panamá, 0-0 em casa e 1-2 fora)
Treinador: Óscar Ramírez (costa-riquenho)
Estrela: Keylor Navas (Real Madrid)
Goleador: Bryan Ruíz (Sporting)
Promessa: Gerson Torres (América)

SÉRVIA
Alcunha:
Orlovi (As Águias)
Participações no Mundial e melhor classificação: 12.ª participação, oito como Jugoslávia e duas como Sérvia e Montenegro (4.º lugar em 1930 e 1962)
Qualificação (Europa): 1.º lugar do grupo D com 21 pontos em 10 jogos (Rep. Irlanda, 2-2 em casa e 1-0 fora; Moldávia, 3-0 fora e 3-0 em casa; Áustria, 3-2 em casa e 2-3 fora; País de Gales, 1-1 fora e 1-1 em casa; Geórgia, 3-1 fora e 1-0 em casa)
Treinador: Mladen Krstajic (sérvio, interino)
Estrela: Nemanja Matic (Manchester United)
Goleador: Aleksandar Mitrovic (Newcastle)
Promessa: Milinkovic-Savic (Lazio)