O preço máximo dos transportes públicos vai subir em média 2% no próximo ano, avança o secretário de Estado Adjunto e do Ambiente ao Jornal de Notícias. José Mendes, que tem a tutela dos transportes, justifica este aumento acima da inflação prevista para 2018, que é de 1,4%, como sendo uma “solução equilibrada” para responder ao aumento dos custos de produção das empresas e para manter as compensações a alguns passageiros.

O Governo decidiu recentemente alargar os descontos a crianças e jovens até aos 23 anos que passaram a pagar menos 25% desde setembro deste ano. José Mendes defende que não se pode ignorar o agravamento da fatura dos operadores, nomeadamente com combustíveis e recursos humanos, que são os dois principais custos do setor.

O aumento anunciado para o próximo ano, que é o limite máximo, é o maior dos últimos cinco anos. Só em 2012, com a troika em Portugal, é que o preço dos transportes subiu 5%. Isto depois de ter sofridos dois aumentos acima da inflação em 2011, o normal de 4,5% em janeiro, e um extraordinário de 15% decidido já depois de Portugal ter pedido resgate. Em 2013 e 2014, o preço dos transportes públicos subiu cerca de 1% em cada, tendo-se seguido de dois anos sem atualização de preços que coincidiram com taxas de inflação residuais. Este ano, os preços foram atualizados em 1,5%.

Nos últimos dois anos as empresas públicas de transportes tiveram de suportar os encargos resultantes da reposição dos cortes salariais, mas também dos complementos de reforma que foram cortados pelo anterior Executivo. O secretário de Estado defende ainda a necessidade de libertar recursos para o investimento, destacando a renovação da frota de autocarros com a compra de 510 veículos a gás natural.

Um outro encargo que as empresas vão ter de suportar no próximo ano, já começaram aliás este ano, é o reembolso dos valores em dívida ao Santander Totta por causa dos contratos swap (produtos de risco financeiro), na sequência do acordo feito entre o Governo e o banco. Para além de pagarem o que ficou para trás, com a suspensão destes contratos pelo anterior Governo, as empresas Metro de Lisboa, Metro do Porto, Carris e STCP vão também de retomar o pagamento dos cupões até ao fim de vida dos contratos.

O aumento dos custos de produção nos transportes também resulta de algum reforço da oferta, que por sua vez, tem ajudado à recuperação de passageiros nas empresas do setor. Segundo dados avançados ao JN, no Porto, os STCP e o Metro do Porto estão a registar crescimentos de 5,5% e 4,8%, respetivamente. Em Lisboa, o Metro de Lisboa está com mais 6,3% de passageiros e o crescimento no transporte fluvial é da ordem dos 4,2%. A Carris passou para a gestão da Câmara de Lisboa.