O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, que tem no Governo a tutela do desporto, admite sanções mais pesadas para dirigentes desportivos, para acabar com aquilo que considera ser um “reality show” em torno do futebol português.

Numa entrevista ao Diário de Notícias e à TSF, Brandão Rodrigues defende que “o futebol é uma festa” e que “a apologia do ódio não pode de todo dominar o futebol“, sublinhando que “este clima de crispação nos enfraquece”.

O ministro afirmou também que o papel do Governo neste campo deve ser sobretudo o de “ir criando consensos” e “ir apelando de forma séria” à “contenção dos dirigentes, dos comentadores, dos órgãos de comunicação social”. “Basicamente há algo de que não nos podemos esquecer: o futebol é um espetáculo, agora, o futebol não pode ser, nunca pode ser, um reality show“, destacou.

Apesar de preferir uma ação mais discreta e conciliadora por parte do Governo, Brandão Rodrigues admitiu que o Governo poderá avançar para penalizações mais pesadas para quem provoca esse clima de “reality show” no futebol. “Se o mundo do futebol, a sociedade civil, entre todos entendermos que essa é a única forma para lá avançaremos, mas o caminho tem de se fazer entendendo que temos de ser profiláticos e não chegar a esse momento”, sublinhou.

Carreiras: contabilizar todo os tempo “é uma nova questão”

Na mesma entrevista, Tiago Brandão Rodrigues falou sobre a questão da contagem do tempo de serviço dos professores, que não foi contabilizado durante o tempo em que as carreiras estiveram congeladas.

Segundo o ministro, trata-se de uma questão complexa, pelo que a contabilização desse tempo será feita consoante as possibilidades orçamentais. O objetivo, defendeu, é “criar as condições para que no dia 31 de dezembro de 2018, de 2019, de 2020 ou a 31 de dezembro de 2025 não tenhamos de proceder, como país, novamente a um congelamento das carreiras”.

“O que estava em cima da mesa era o descongelamento tal qual como estava feito”, defende, considerando que a questão da contabilização do tempo que ficou por contar é “uma nova questão, uma outra questão”.

Já sobre a falta de condições nas cantinas escolares — tema sobre o qual o Observador publicou esta semana uma investigação que revela as principais falhas no sistema — o ministro da Educação garantiu que há “equipas de fiscalização a ir ao terreno para podermos garantir uma eficaz monitorização das refeições escolares, quer as que estão em regime de administração direta, quer as que estão em regime concessionado”.

Investigação. O que está a falhar nas cantinas escolares?

Brandão Rodrigues negou ainda que uma aluna tinha sido suspensa por divulgar uma fotografia de uma larva na sua refeição, numa cantina escolar em Braga. “Não é verdade. Essa aluna da larva – falou-se que era uma larva, nunca se soube o que é que era efetivamente -, não foi suspensa e, basicamente, isso tinha a ver com regulamentos internos de não se poder tirar imagens dentro da escola por causa dos direitos de imagem das pessoas. O que acontece é que essa notícia é falsa e nós próprios o dissemos no Ministério da Educação, por informação da direção da escola”, disse o ministro.