O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou este domingo ter pedido ao antigo diretor do FBI, James Comey, para encerrar uma investigação ao antigo conselheiro de segurança nacional, Michael Flynn.

“Nunca pedi a Comey que parasse de investigar Flynn. São só mais fake news sobre mais uma mentira de Comey”, escreveu Trump, esta manhã, na sua conta do Twitter.

A mensagem de Trump surge dois dias depois de o antigo conselheiro de segurança nacional, Michael Flynn, se ter declarado culpado perante um tribunal federal, por ter mentido ao FBI sobre os seus relacionamentos com os russos. Flynn confirmou agora ter estado em contacto com representantes russos a mando da equipa de Donald Trump, apesar de a Casa Branca insistir que agiu sozinho.

Michael Flynn deixou a Casa Branca apenas 25 dias depois de Donald Trump ter tomado posse, depois de reveladas suspeitas de que teria mentido ao vice-presidente, Mike Pence, sobre os seus contactos com o embaixador russo e outros representantes da Rússia.

Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Michael Flynn, demite-se

Depois da demissão de Flynn, foi noticiado que Donald Trump se terá aproximado de James Comey e lhe terá pedido que fosse brando na investigação a Flynn. “Ele é um tipo porreiro. Deixa andar”, terá dito Trump a Comey.

A denúncia foi feita pelo próprio diretor do FBI, antes de ser também ele demitido por Donald Trump. A demissão de Comey surgiu numa altura em que o FBI admitia publicamente estar a investigar os alegados contactos entre a equipa de Trump e a Rússia durante a campanha eleitoral.

Trump já tinha pedido ao diretor do FBI para encerrar a investigação de Flynn

Contudo, este sábado, Trump publicou no Twitter que um dos motivos que levaram à saída de Flynn foi precisamente o facto de este ter mentido ao FBI, reacendendo a polémica em torno de Flynn e de Comey.

As críticas não tardaram: se Trump efetivamente sabia que Flynn tinha mentido ao FBI, poderá ter cometido um crime de obstrução à justiça. A decisão de Flynn de cooperar com o comité liderado pelo procurador Robert Mueller, que está a investigar as ligações à Rússia, poderá comprometer Trump e a Casa Branca em termos legais, escreve o Washington Post.

Trump continuou a publicar tweets ao longo da manhã deste domingo, com duras críticas ao FBI e à liderança de James Comey, ao mesmo tempo que prometeu que trará de volta “a grandeza” do FBI.

“Depois de anos de Comey, com a investigação falsa e desonesta sobre Clinton (e mais), a liderar o FBI, a sua reputação está em cacos – a pior na História! Mas nada temam, nós vamos trazer de volta a sua grandeza”, escreveu Trump.

O presidente norte-americano aproveitou também para se pronunciar sobre a decisão da cadeia televisiva ABC News, que este fim de semana suspendeu o repórter de investigação Brian Ross, que na sexta-feira emitiu uma notícia segundo a qual Flynn estaria disponível para testemunhar em tribunal que Donald Trump lhe pediu para contactar os russos durante a campanha eleitoral.

A ABC News viria a retirar a notícia mais tarde e o repórter foi suspenso, mesmo depois de pedir desculpa publicamente.

“Quem perdeu dinheiro quando a bolsa de valores desceu 350 pontos depois da notícia falsa e desonesta de Brian Ross da ABC News (foi suspenso), deviam considerar contratar um advogado e processar a ABC pelos danos que esta notícia causou — muitos milhões de dólares!”, escreveu Trump.