O número de cesarianas nas maternidades portuguesas é superior ao recomendado para este tipo de intervenções cirúrgicas, com 1/4 dos hospitais públicos com taxas de cesarianas acima do limite de 30% fixado pelo Governo, escreve esta segunda-feira o Diário de Notícias.

De acordo com o jornal, que cita os dados do Portal da Transparência do Serviço Nacional de Saúde referentes aos três primeiros trimestres deste ano, a percentagem média dos partos que são feitos com recurso à intervenção cirúrgica nas 36 unidades do país ronda os 25%.

Além disso, não há nenhum hospital com menos de 22% de cesarianas, valor que continua acima dos 15% que a Organização Mundial de Saúde recomenda, detalha ainda o DN.

A Direção-Geral da Saúde sublinha que esta taxa tem vindo a descer, mas justifica a taxa relativamente elevada com o facto de haver mais mulheres mais velhas a terem filhos, com mais complicações e com gravidezes que resultam de técnicas de procriação medicamente assistida.

Hospitais com um terço de partos por cesariana não vão ser pagos por estas intervenções

O elevado número de cesarianas vai trazer penalizações para os hospitais, ao abrigo do programa implementado pelo Governo com o objetivo de reduzir este tipo de intervenções.

Segundo as normas do Serviço Nacional de Saúde para 2018, os hospitais que ultrapassem os 29,5% ou 31,5% de cesarianas (os limites variam consoante o grau de diferenciação) não vão receber do Estado o pagamento pelos respetivos episódios de internamento.