Foi desde Marrocos — onde está em visita oficial — que o primeiro-ministro falou da eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo, sublinhando que esta decisão significa o “reconhecimento das qualidades pessoais” do seu ministro das Finanças, mas sobretudo “da credibilidade internacional de Portugal numa área sensível”. “Está hoje virada a página“, disse António Costa, que também acredita que sem os “bons resultados” do país a eleição não teria sido possível.

Numa tentativa de distribuir os créditos pelo resultado da eleição desta segunda-feira, Costa sublinhou que “seguramente, se não estivéssemos a ter bons resultados, o presidente do Eurogrupo não seria o ministro das Finanças de Portugal“. E coloca a posição que Centeno assume a 13 de janeiro como importante no quadro que se segue a nível europeu: “Permitirá a Portugal ter um papel mais ativo e em melhores condições na discussão crucial para o nosso futuro” sobre a União Económica e Monetária. Isto em resposta direta à pergunta, colocada pelos jornalistas que o acompanham em Marrocos, sobre as implicações de ter um ministro a acumular funções fora do país.

Também desvalorizou que esta eleição traga problemas para a “geringonça“, onde os parceiros do Governo têm um discurso radical face aos compromissos e à política europeia. “Temos o Orçamento para o próximo ano aprovado e temos uma trajetória orçamental definida até ao final da legislatura e seguramente não haverá aí surpresas. Vamos manter a orientação de políticas que temos tido”.

Mário Centeno. O “gerador de consensos” que não vai mudar “nada” na política orçamental

E seguir a orientação, na leitura do primeiro-ministro, significa “seguir as regras e a política orçamental definida, cumprir as normas em vigor na União Europeia, contribuir para a reforma da zona euro”. Com um “mas” para serenar a esquerda: o país continuará fiel à linha europeia, “mas tendo uma orientação de políticas que permita repor rendimento das famílias, o investimento e a robustez do sistema financeiro”.

Neste ponto, António Costa faz o roteiro daquelas que tem exibido como conquistas do seu Governo: “Convém não esquecer de onde viemos. Viemos de uma situação de défice excessivo, ameaças de sanções, uma situação em que muitos achavam que com esta maioria parlamentar estava em risco a credibilidade externa de Portugal. E a verdade é que temos tido mais investimento, taxas de juro reduzidas, o défice mais baixo da democracia e melhorámos o rendimento das famílias”.

Ainda disse que “há limites para a auto-flagelação” nacional, dizendo que “há motivos para estar satisfeito”, com esta “boa notícia”. Mas não deixou de parte um certo sentimento de desforra, ao confessar que lhe deu “especial prazer” esta eleição “em particular porque nos últimos dias comentadores e jornalistas” recordaram momentos “nem sempre felizes” de Centeno.