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O telemóvel pode provocar uma explosão enquanto mete gasolina?

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É proibido usar o telemóvel enquanto abastecemos, mas não falta quem o faça. Até que ponto é mesmo perigoso violar essa proibição, e qual o risco real de haver uma explosão que mande tudo pelos ares?

Mesmo os condutores mais distraídos certamente já repararam na profusão de proibições associadas a uma visita à bomba de combustível. Entre as ordens afixadas destacam-se o “não fume” e o “não utilize o telemóvel”, entre outras recomendações. Mas será que falta algum aviso, provavelmente o que mais acidentes pode causar? Já lá vamos.

Ninguém, pelo menos no seu ‘perfeito juízo’, vai achar que é uma boa ideia fumar ou acender um cigarro enquanto enfia 50 ou mais litros de gasolina – o gasóleo é ligeiramente menos problemático – no depósito do seu carro. Caso o faça, é certo e sabido que pode destruir-se a si, ao seu carro e a todos os que estão na bomba de combustível. Bastando para tal que coexistam três condições: existir ar (e o oxigénio que contém), estar na presença de combustível (e não é preciso ser em forma líquida, pois os vapores libertados durante o abastecimento são mais que suficientes), e alguém fornecer uma fonte de ignição, quase sempre uma faísca. As três juntas são a receita ideal para o desastre.

Se o cigarro e o fósforo, ou o isqueiro, apresentam um perigo real, já o mesmo não acontece com o uso do telemóvel. É perseguido tal como o tabaco, mas o risco que representa não é tão real, pois a capacidade da bateria é mínima, da mesma forma que as forças electromagnéticas que gera são de pouca monta. Igualmente fracas, pelo menos em relação ao risco de gerar a tal faísca ou ponto de ignição, são as comunicações entre o telefone móvel e a antena mais próxima, que se realizam sob a forma de ondas de rádio, também elas um tipo de radiação electromagnética.

Em resumo, não é que seja impossível um telefone originar a tal faísca. Sucede que é muito pouco provável e não há casos conhecidos, ou confirmados, em que foi o telemóvel o culpado. A existir uma ‘faísca’ provocada pelo uso do telefone, é mais provável que venha do condutor que está a “secar” atrás de si, à espera da sua vez para abastecer, e que está cada vez mais furioso por você estar distraído a falar ou enviar SMS, em vez de se despachar e ir à sua vida. Os Mythbusters, com colaboração de um responsável pelo Instituto do Petróleo e do Equipamento americano, demonstram-no de forma eloquente, e divertida, no vídeo.

O grande risco a que ninguém liga

A principal origem de acidentes, enquanto se abastece, não vem do cigarro – apesar do perigo ser mais que evidente – e, muito menos, do telemóvel. Vem sim da electricidade estática, aquela normalmente produzida pela fricção, que garantidamente provoca uma faísca assim que nos aproximamos de um metal ou de qualquer condutor.

Já todos ficámos com o cabelo no ar depois de nos pentearmos ou tirarmos um gorro, ou ouvimos um click quando despimos certas camisolas de lã, e até já sentimos um choque quando apertamos a mão a alguém que calça sapatos isolantes, tipo ténis. Pois bem, o que nos põe o cabelo no ar é a electricidade estática e o tal click a faísca que pode fazer explodir o carro e a bomba de gasolina.

Normalmente, depois de viajarmos de carro durante um período de tempo, com o tronco e pernas em constante contacto com o revestimento do banco, e dos pés com o tapete, o corpo fica carregado de electricidade. Se tivermos sapatos com sola de borracha e o primeiro material condutor com que contactamos for a pistola da bomba de combustível, é aí que descarregamos a electricidade do nosso corpo, acumulada por fricção. E não há problema nenhum, pois a gasolina continua no gigantesco depósito da bomba, a vários metros de profundidade e não há vapor de combustível nas redondezas.

O risco de explosão acontece quando iniciamos o abastecimento e há vapor de gasolina a sair do depósito do veículo. Nestas condições, se voltarmos ao carro, nos sentarmos e mexermos lá dentro à procura de qualquer coisa, esfregando-nos aqui ou ali, ou até simplesmente vestirmos uma camisola, podemos voltar a ficar carregados electricamente. E é aí que, ao aproximarmo-nos de novo da pistola, para a desligar, por exemplo, que pode formar-se uma faísca entre a mão e o metal, que origina a explosão.

Truque para não acontecer? Acaricie o seu carro – mas nada de poucas vergonhas. Limite-se a tocar no metal da porta, no tejadilho ou até mesmo no metal do corpo principal da bomba de combustível. Tudo para que esteja descarregado quando se aproximar da gasolina vaporizada junto ao bocal do depósito, que se pode incendiar mais facilmente do que julga. E mais rapidamente também. Se não há casos documentados de acidentes provocados por telemóveis, não faltam aqueles em que é a electricidade estática que redecora por completo a estação de combustível. Veja como tudo pode acontecer:

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