Michael Flynn, antigo conselheiro para a Segurança de Donald Trump — que foi entretanto demitido por ter mentido sobre os seus contactos com o embaixador russo durante a campanha eleitoral –, comentou com um parceiro de negócios parte da estratégia da equipa de Trump relativamente à Rússia. Em causa estariam as sanções ao país que, de acordo com Flynn, iriam cair.

A informação foi dada por um delator anónimo, que está a colaborar com o congressista democrata Elijah Cummings. Foi o democrata que tornou públicas as informações deste delator, acrescentando que estas informações provam que Flynn tentou “manipular o rumo da política nuclear internacional para conseguir ganhos financeiros para os seus parceiros de negócios”.

Em causa está um negócio com a ACU Strategic Partners, no qual Flynn trabalhava como consultor desde 2015, que pretendia construir centrais nucleares no Médio Oriente com o apoio da Rússia. O delator conta que teve uma conversa com Alex Copson, da ACU, no dia da tomada de posse de Donald Trump — e que nesse mesmo dia Copson terá dito que aquele era “o dia mais feliz” da sua vida, porque representava “o início de algo” onde andava a trabalhar há anos. Copson teria recebido uma SMS de Flynn durante a cerimónia em que o antigo general lhe disse que o projeto nuclear era para avançar.

A carta onde Cummings revela as denúncias do delator diz ainda que “Copson explicou que o general Flynn estava a trabalhar para garantir que as sanções [à Rússia] seriam ‘rasgadas’ como uma das primeiras medidas“, como revela o New York Times, que teve acesso à carta.

Michael Flynn está a ser investigado pelo comité especial do FBI que analisa as ligações da campanha de Donald Trump à Rússia. Na passada sexta-feira, Flynn declarou-se culpado de ter mentido ao FBI sobre o conteúdo das chamadas que teve com o embaixador russo, Sergey Kislyak, que ditariam a sua saída da Casa Branca. O tema principal dessas chamadas foram precisamente as sanções impostas por Washington à Rússia.