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“La Superba – O Despertar do Violoncelo” fecha concertos de S. Vicente de Fora

O Ciclo do Órgão Histórico de S. Vicente de Fora mobilizou, no ano passado, cerca de 5 mil pessoas, segundo a organização.

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O recital “La Superba – O Despertar do Violoncelo”, no sábado, pelo organista João Vaz e a violoncelista Diana Vinagre, encerra o VII Ciclo de Concertos do Órgão Histórico da Igreja de S. Vicente de Fora, em Lisboa.

“Será a primeira vez, em S. Vicente de Fora, que se realiza um concerto com violoncelo e o histórico órgão Fontanes, com um programa inteiramente preenchido por música italiana do século XVII”, disse à agência Lusa João Vaz, que é o organista titular da igreja.

“Este foi um desafio que fizemos a nós próprios, eu e a Diana Vinagre. Refira-se que o violoncelo é um instrumento que, a partir do século XVII, ganhou muita difusão, e como é um instrumento cuja projeção de som é muito grande, o efeito é impressionante num espaço tão grande como a igreja de S. Vicente de Fora”, afirmou o organista.

O programa de sábado é constituído por peças de Bartolomé de Selva y Salaverde, “Susan[n]a [un jour] pasegiata [a] Basso solo”, Giovanni Battista Vitali, “Bergamasca”, Girolamo Frescobaldi, “Bergamasca” e “Canzona settima a Basso solo ‘detta la Superba'”, Domenico Gabrielli, “Ricercar 7 per violoncello solo” e “Sonata a violoncello solo, con il suo basso continuo”, Bernardo Storace, “Ballo della bataglia”, Francesco Scipriani, “Toccate V per violoncello e basso continuo”, Giuseppe Antonio Paganelli, Árias II e XXII de “XXX ariae pro organo et cembalo”, e de Giovanni Battista Pergolesi, “Sinfonia per violoncelo e basso continuo”.

“Estas obras, que são feitas para violoncelo com o contínuo do órgão, resultam ali [na igreja] de uma forma diferente da que se costuma ouvir em espaços mais pequenos”, assinalou João Vaz que referiu que junta compositores “mais e menos conhecidos do público”, tendo em conta alguns que, “no século XVII, exploraram as capacidades acrobáticas do violoncelo, como Battista Vitali”.

Diana Vinagre vai tocar um violoncelo barroco, que se distingue dos atuais, “sobretudo porque usa cordas de tripa, e pela montagem do próprio instrumento”.

João Vaz explicou que as atuais cordas em metal, obrigaram a transformações de construção do violoncelo, de “modo a suportar a tensão”, “nomeadamente uma inclinação diferente do braço”. Num violoncelo barroco, “também o arco é diferente, assim como a maneira de tocar, usando-se a técnica daquela época”, acrescentou, em que se destaca, por exemplo, a ausência de espigão.

João Vaz referiu que neste recital, além do contínuo, “num instrumento que tem uma sonoridade muito mais larga e envolvente, que o órgão positivo”, será também escutado “o órgão em toda a sua dimensão”, nomeadamente nas composições de Bernardo Storace e de Girolamo Frescobaldi.

João Vaz realçou “o interesse crescente do público por estes recitais de órgãos, muito devido à magia daquele instrumento histórico, restaurado em 1994”. “Um público que se renova”, salientou, referindo que “o som do instrumento naquela igreja é muito apelativo”.

João Vaz destacou “a vantagem” do órgão construído em 1756, por João Fontanes de Maqueira, por “se encontrar em estado quase original”, tendo tido “uma intervenção de restauro de pouca monta, em finais do século XIX, e novamente no século seguinte”, em 1956/1957, e, depois, em 1977.

A última intervenção, mais profunda, concluída em 1994, foi realizada por Christine Vetter e Claudio Rainolter, tendo sido repostos materiais originais.

O órgão, segundo João Vaz, “tem mais de três mil registos, distribuídos por dois teclados, e 60 semi registos”, sendo um dos maiores órgãos históricos portugueses.

O ciclo de órgão de S. Vicente de Fora é organizado pela editora Althum e o Patriarcado de Lisboa, realiza oito concertos, sempre aos sábados, às 17:00, de abril até dezembro, exceto durante o mês de agosto.

No ano passado, o Ciclo do Órgão Histórico de S. Vicente de Fora mobilizou cerca de 5 mil pessoas, segundo a organização.

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