Christine Keeler, figura central do escândalo político Profumo que em 1963 abalou a política britânica e que culminou na queda do governo de Harold Macmillan, morreu esta segunda-feira, aos 75 anos, escrevem os meios de comunicação social britânicos. “A minha mãe morreu na noite passada [segunda-feira], por volta das 23h30”, confirmou um dos filhos da ex-modelo.

Foi modelo, prostituiu-se, mas o seu nome ficaria inscrito nas páginas da história contemporânea pelo envolvimento que protagonizou com dois altos responsáveis — políticos e diplomáticos — num dos momentos mais sensíveis do último século. Keeler teve um caso com o ministro de Guerra britânico John Profumo e era, ao mesmo tempo, amante de diplomata russo em pleno período da Guerra Fria.

Quando a relação com Profumo foi descoberta, em 1963, o ministro demitiu-se. Mas esse afastamento não impediu que o Governo de Macmillan caísse com o governante. As repercussões não se ficariam por aí. Depois de mais de uma década aos comandos do país, os Tories perderam as eleições do ano seguinte para os Trabalhistas de Harold Wilson.

O escândalo ganhou maior dimensão quando os parlamentares britânicos manifestaram preocupações com a segurança nacional. Temiam que Keeler pudesse ter acesso a informações de Estado através de Profumo para depois passá-las aos soviéticos. Num primeiro momento, o ministro garantiu à Casa do Comuns não haver qualquer teor “impróprio” no seu relacionamento com a modelo. Acabaria por admitir ter mentido, apresentando em seguida a demissão e forçando uma mexida de cadeiras no Governo britânico.

Keeler morreu no hospital universitário Princess Royal. Vítima de Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica, há vários meses que o seu estado de saúde se tinha agravado. Casou-se duas vezes, divorciou-se outras tantas e teve dois filhos, James e Seymour Platt, um de cada casamento. “Havia muita coisa boa na vida trágica de Chris, porque havia uma família à sua volta que a amav”, disse Platt, citado pelo Guardian.