A eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo trará “consequências inevitáveis” para a condução do Ministério das Finanças em Lisboa. Esta é a leitura feita pelo Presidente da República que, segundo o Jornal Expresso, está preocupado com o impacto que a dupla missão terá na equipa das Finanças, sobretudo na preparação do próximo Orçamento do Estado. Este processo será marcado pelo ambiente pré-eleitoral e por um crescendo nas reivindicações por parte dos sindicatos, funcionários públicos e parceiros à esquerda.

Em entrevista também ao Expresso, a coordenadora do Bloco de Esquerda, na qual a Catarina Martins defende que os dois anos que faltam para a conclusão da legislatura a prioridade será para a recuperação dos serviços públicos. Só no Serviço Nacional da Saúde falta reverter cortes de mil milhões de euros, segundo as contas o BE.

Tudo indica que Mário Centeno não irá encarar o cargo de liderança dos ministros do euro como apenas mais dias de trabalho, até porque as reformas em preparação na arquitetura europeia podem comprometer a existência do cargo a curto prazo. Logo, vai sobrar mais trabalho e mais responsabilidade para a equipa de Centeno em Lisboa, e, em particular para o número dois do Ministério das Finanças. Ricardo Mourinho Félix irá ganhar maior protagonismo político. E Marcelo, acrescenta o Expresso, vai andar de “olho vivo”, ate porque para o Presidente, o ministro das Finanças representava no Governo a principal garantia de disciplina nas finanças públicas.