O Sporting não larga o FC Porto e, quando jogam depois, os dragões também fazem questão de colar-se de novo aos leões. Após dois empates consecutivos que deram outra vida aos comandados de Jorge Jesus, a equipa de Sérgio Conceição deu mais uma resposta convincente e goleou em Setúbal por 5-0, já depois do triunfo folgado diante do Mónaco por 5-2 que tinha valido a qualificação para os oitavos da Liga dos Campeões.

Mas há um pormenor curioso que mostra bem como até nos registos que conseguem bater são “iguais”. Lembra-se de termos escrito ontem que o Sporting não tinha um arranque sem derrotas nas primeiras 14 jornadas do Campeonato há 22 anos? Pois bem, também o FC Porto não marcava cinco ou mais golos em partidas consecutivas há… 22 anos. Recordes distintos, é certo, mas que mostram bem como será disputada esta Liga.

Mas esta goleada teve sobretudo dois intervenientes: Aboubakar, o camaronês que já superou o seu registo pessoal de golos numa temporada (20 e ainda não chegámos a meio de dezembro…) e que conseguiu o terceiro hat-trick da carreira (segundo nos dragões e na presente temporada, depois dos três golos ao Moreirense), e Marega, o maliano que teve duas falhas “anormais” com o Benfica mas que recuperou o instinto em Setúbal.

Apesar de ter começado a temporada no banco, à sombra da dupla Aboubakar-Soares, Marega encaixou que nem uma luva no sistema azul e branco e tem formado um ataque diabólico com o camaronês, tão diabólico que vale nesta altura metade dos golos apontados pelo FC Porto na presente temporada. Mas se olharmos apenas para os jogos da Primeira Liga, a influência é ainda maior: 61%.

Ainda assim, o poderio ofensivo dos dragões não se resumo aos avançados africanos e, entre outros registos históricos, o Playmakerstats apresenta um outro ponto de vista: 43% dos jogos do FC Porto esta temporada acabaram com diferenças de três ou mais golos. E este é o principal mérito de Sérgio Conceição, que conseguiu montar uma equipa que raramente concede oportunidades porque joga no meio-campo adversário.