O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) considera que o relatório sobre os incêndios de Pedrógão Grande, em junho, demonstra “menor conhecimento na área de Emergência Médica e desconhecimento de factos essenciais” na atuação daquela entidade.

“O INEM não pode deixar de referir que muitos dos aspetos abordados no relatório ‘Complexo de Incêndios ocorridos em Pedrógão Grande e concelhos limítrofes, iniciados em 17/6 refletem o menor conhecimento na área da Emergência Médica e o desconhecimento de factos essenciais da atuação do INEM”, refere aquela entidade num comunicado divulgado no sábado à noite.

Embora aponte críticas ao relatório sobre a tragédia, encomendado pelo Governo, o INEM “reconhece ao professor Domingos Xavier Viegas [líder da equipa da Universidade de Coimbra que elaborou o documento] grande competência no que concerne ao estudo dos incêndios florestais”.

INEM aponta “confusão evidente” que é “incompreensível num relatório técnico que se pretende objetivo”

Em 17 de junho e durante vários dias, fogos florestais devastaram extensas áreas, sobretudo em Pedrógão Grande, provocando 65 vítimas mortais e mais de 200 feridos, além de elevados prejuízos materiais.

O relatório “O complexo de Incêndios de Pedrógão Grande e Concelhos Limítrofes, iniciado a 17 de junho de 2017” foi elaborado pelo Centro de Estudos Sobre Incêndios Florestais da Universidade de Coimbra.

O INEM defende que “várias das considerações constantes do referido relatório, no que concerne ao socorro e à assistência médica às vítimas, revelam uma confusão evidente entre o Sistema Integrado de Operações de Proteção e Socorro (SIOPS, responsabilidade da Autoridade Nacional de Proteção Civil) e o Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM, responsabilidade do INEM), incompreensíveis num relatório técnico que se pretende objetivo, rigoroso e cientificamente fundamentado”.

Recorda o INEM que “nem o Instituto nem os seus profissionais (que são profissionais de saúde), têm competência técnica para as missões de busca e salvamento de pessoas e, muito menos, para combater fogos florestais”.

“Compete-lhe, isso sim, a prestação, sempre em condições de absoluta segurança, de cuidados de emergência médica pré-hospitalares. Emergência médica e busca e salvamento são duas áreas completamente distintas, com características singulares e exigindo competências profissionais distintas”, lê-se no comunicado, divulgado na sequência de uma reportagem exibida no programa “Sexta às Nove” da RTP.

Nos incêndios de Pedrógão Grande, alega o INEM, as funções desempenhadas por aquela entidade “desenvolveram-se em dois grandes eixos: o primeiro na resposta às necessidades das populações atingidas pelos incêndios no que concerne à prestação de cuidados de emergência médica e apoio psicossocial; o segundo, para garantir a assistência médica aos operacionais envolvidos nos teatros de operações”.

Nessa altura, o INEM registou “um total de 254 assistências (198 Pedrógão Grande + 56 Góis – entre os quais sete feridos graves, uma criança, quatro bombeiros e dois civis); 87 evacuações para unidades de saúde; 800 assistências das Unidades Móveis de Intervenção Psicológica de Emergência (UMIPE)”.