Um antigo padre norte-americano de 85 anos de idade foi condenado no Texas a prisão perpétua por ter violado e assassinado, há 57 anos, uma jovem que se foi confessar à sua igreja, conta o jornal espanhol El País.

Foi em 1960 que Irene Garza, uma jovem de ascendência latina e a primeira da sua família a ir para a universidade, foi à igreja do Sagrado Coração, em McAllen, no Texas, para se confessar, e nunca mais voltou. No interior da igreja estava apenas o padre John Feit.

Irene apareceu morta a flutuar num canal de irrigação próximo da povoação. A autópsia concluiu, depois, que a jovem tinha sido esfaqueada e asfixiada, e depois violada, quando já estava inconsciente.

Apesar de ser considerado o principal suspeito, não houve nenhuma acusação contra o padre Feit, uma vez que a polícia não terá encontrado provas suficientes para reconstruir a morte e que o sacerdote afirmou que tinha apenas dado a confissão à jovem e que não sabia o que poderia ter acontecido depois.

Mesmo assim, a polícia do Texas investigou o caso durante décadas, interrogando o padre Feit repetidamente ao longo dos anos. A dificuldade em encerrar o caso, descobriu-se mais tarde, esteve relacionada com a interferência da própria Igreja Católica.

Isto porque em 1960 era John F. Kennedy, católico, quem se apresentava à presidência dos EUA. De acordo com uma carta de vários líderes religiosos, apresentada em tribunal, condenar um padre por um assassínio causaria danos graves à imagem da Igreja e do candidato presidencial. Mesmo assim, não houve desenvolvimentos que permitissem condenar Feit.

O caso ficaria mais ou menos resolvido em 2002, quando um outro antigo padre telefonou à polícia para revelar que tinha recebido, em 1963, o padre Feit em confissão. Nessa confissão, Feit revelou que tinha assassinado uma jovem anos antes. O padre ficou em silêncio durante todo aquele tempo devido à obrigação ao segredo de confissão.

A investigação foi reaberta com esta nova informação e este ano o antigo padre John Feit foi detido e presente a tribunal, que o condenou esta sexta-feira a prisão perpétua pelo homicídio da jovem.