Um grupo de 59 congressistas democratas solicitou nesta terça-feira a abertura de uma investigação na Câmara Baixa para apurar a veracidade das acusações de assédio sexual de várias mulheres contra Donald Trump, antes de ser eleito Presidente dos Estados Unidos.

Em carta dirigida ao presidente do Comité de Supervisão da Câmara dos Representantes, o republicano Trey Gowdy, e ao representante democrata Elijah Cummings, as congressistas pediram um inquérito, por considerarem que os “norte-americanos merecem” conhecer “a verdade das acusações”.

O anúncio do pedido de investigação surgiu apenas um dia depois de três das 16 mulheres que acusaram Donald Trump de assédio sexual durante a campanha eleitoral do ano passado lamentarem, em conferência de imprensa, em Nova Iorque, que o então candidato a Presidente dos Estados Unidos não ter sido confrontado por qualquer consequência das suas ações.

“Todas as partes merecem ter a oportunidade de alcançar uma decisão justa”, declarou a congressista Lois Frankel, que, perante os jornalistas, explicou as razões pelo pedido da investigação a Trump, referindo também que o “abuso sexual não será tolerado” em Washington.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considerou que está a ser alvo de “falsas acusações” de assédio sexual por parte de mulheres “que não conhece”, acusando os democratas e a imprensa de participarem numa campanha contra ele. “Os democratas foram incapazes de demonstrar conluio com a Rússia, pelo que agora estão a concentrar-se nas falsas acusações e em histórias inventadas por mulheres que não sei quem são e/ou não conheço. FAKE NEWS!”, escreveu Trump hoje na rede social Twitter.

A resposta de Trump, no seu habitual primeiro ‘tweet’ da manhã, surgiu um dia depois de três mulheres que anteriormente tinham acusado o Presidente de assédio sexual terem contado as suas histórias no programa “Megyn Kelly Today”, da NBC. As mulheres – Jessica Leeds, Samantha Holvey e Rachel Crooks – apelaram ao Congresso norte-americano para que investigue o comportamento de Trump.

A porta-voz da Casa Branca Sarah Huckabee Sanders já tinha negado as acusações na segunda-feira, prometendo fornecer uma lista de testemunhas oculares cujas declarações absolviam o Presidente dos comportamentos inapropriados. Até ao final do dia, a porta-voz não forneceu qualquer lista à imprensa dos EUA. Durante a campanha presidencial de 2016, Trump foi acusado por outras 13 mulheres, bem como pelas três que falaram na segunda-feira.

Os escândalos de assédio sexual no mundo da política nos Estados Unidos provocaram já a renúncia de dois democratas: o senador Al Franken e o congressista John Conyers.