O comandante dos bombeiros de Pedrógão Grande, Augusto Arnaut, e o segundo comandante do Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS), Mário Cerol, foram constituídos arguidos na sequência dos incêndios de Pedrogão Grande e estão indiciados por homicídio por negligência e ofensas corporais por negligência, revela a Agência Lusa. Os incêndios provocaram a morte a 64 na altura do incêndio, uma que foi atropelada enquanto fugia e uma mulher que não resistiu aos ferimentos esta semana, depois de cinco meses hospitalizada.

Segundo a Agência Lusa, Augusto Arnaut foi constituído arguido esta terça-feira, depois de ter sido ouvido pelo Ministério Público no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Leiria. A advogada do comandante dos bombeiros de Pedrógão Grande diz que o responsável está “tranquilo”.

Durante a manhã, o segundo comandante do Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS), Mário Cerol, também confirmou que foi constituído arguido, em declarações à TSF. Mário Cerol disse que foi o terceiro no comando das operações na altura do incêndio e que já foi ouvido pelas autoridades.

À Agência Lusa, a Procuradoria-Geral da República explicou que estes dois responsáveis estão indiciados por homicídio por negligência.

“Em causa estão factos suscetíveis de integrarem os crimes de homicídio por negligência e ofensas corporais por negligência”, diz a PGR.

Segundo o Correio da Manhã, dez responsáveis foram constituídos arguidos, ligados à Proteção Civil, GNR e concessionárias de estradas, e são suspeitos de homicídio por negligência.

Em junho deste ano, o jornal Sol assegurava que, no dia 17 de junho, o 2.º Comandante Distrital de Operações de Socorro (CODIS) de Leiria, Mário Cerol, terá sido chamado às 17h08 e só terá reagido, tomando as primeiras decisões relativamente ao combate ao fogo, mais de 60 minutos depois, às 18h12, já as chamas lavravam há mais de quatro horas.

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Mário Cerol, é advogado e foi mandatário em 2009 da candidatura do PS à Câmara de Alcobaça, localidade onde foi comandante dos Bombeiros Voluntários de Alcobaça, tendo ainda substituído Luís Lopes, que desde há quatro anos era 2º Comandante Distrital de Operações de Socorro de Leiria.

Luís Lopes foi um dos onze administrativos e 13 operacionais da Proteção Civil que foram substituídos desde o início do ano.