A Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa “rejeita por completo” a decisão da empresa de avançar com o trabalho ao sábado, pagando o dobro de um dia normal aos funcionários que tiverem de trabalhar nesses dias, e diz que as condições que a empresa decidiu impor são ainda mais desfavoráveis do que as que levaram à greve de agosto.

De acordo com o jornal Público, os representantes dos trabalhadores entendem que o processo negocial deve ser retomado e já convocaram os trabalhadores para plenários no dia 20 de dezembro, no entanto a disponibilidade da administração da Autoeuropa para negociações só existe para acordos que possam vigorar após agosto.

A empresa quer que o novo horário de trabalho entre em vigor no final de janeiro e continue até agosto, de forma a garantir a capacidade de produção do novo modelo da Volkswagen, o T-Roc, segundo a empresa.

A empresa e os trabalhadores já falharam por duas vezes um acordo em relação à nova jornada de trabalho e às condições associadas, com a empresa a anunciar que iria avançar com as mudanças, mesmo sem acordo dos trabalhadores.

Estas mudanças implicam não apenas um sexto dia de trabalho, mas também 17 turnos semanais. A empresa justifica-se dizendo que desde 2015 que a laboração contínua está prevista no acordo laboral e que manteve os postos de trabalho, mesmo quando o volume de produção baixou

O último pré-acordo, negociado entre a Comissão de Trabalhadores e a administração da fábrica de Palmela, que previa a laboração contínua em 17 turnos de trabalho, com rotação semanal, foi rejeitado por 63% dos trabalhadores no referendo realizado no passado dia 29 de novembro.

No passado mês de julho, 74% dos trabalhadores da Autoeuropa também rejeitaram um primeiro pré-acordo sobre os novos horários e fizeram um dia de greve (30 de agosto), a primeira por razões laborais na fábrica de automóveis de Palmela. A Autoeuropa prevê um volume de produção do novo veículo T-Roc que deverá atingir 240 mil unidades em 2018.