1. Não há apenas um tipo de vírus de gripe

Os vírus da gripe, ou vírus influenza, dividem-se em três tipos: A, B e C, sendo este último menos frequente mas também menos perigoso. São os vírus do tipo A que causam as epidemias e pandemias, e são considerados os potencialmente mais prejudiciais à saúde. Têm sido transmitidos entre humanos e animais, como acontece, por exemplo, no caso da gripe suína (H1N1) ou das aves (H5N1). O vírus do tipo B é estável, com reduzida capacidade de mutação e infeta principalmente os humanos. Durante o inverno de 2016/2017, a circulação do vírus da gripe foi detetada em cocirculação com outros vírus respiratórios, tendo sido o tipo A (H3) o vírus predominante, tal como observado nos restantes países europeus.

2. A gripe não é uma constipação

Se de cada vez que alguém dissesse que está com gripe estivesse, de facto, com gripe, esta seria uma epidemia de proporções catastróficas. As constipações ou alergias que podem provocar sintomas semelhantes à gripe – corrimento nasal, espirros, febre baixa, mal-estar ou dor de cabeça – não devem ser confundidas com esta. A gripe é uma infeção das vias respiratórias de início súbito e sintomas de maior intensidade, como febre alta, mialgias, tosse, mal-estar ou cefaleias, provocada pelo vírus influenza; pode resultar em situações clínicas variadas: da infeção assintomática à pneumonia vírica, podendo, em certos casos, evoluir para uma patologia fatal.

3. A gripe mata dez vezes mais do que os acidentes de viação

Todos os anos, a nível mundial, o vírus atinge em média 5 a 10% dos adultos e 20 a 30% das crianças. Na época de gripe de 2016-2017 estima-se que, em Portugal, cerca de 4500 mortes estejam associadas à epidemia de gripe sazonal. Esse cálculo é feito pelo número de mortes registadas em excesso em relação ao esperado durante esses meses. Por comparação, em 2016 morreram em Portugal 445 pessoas vítimas de acidente de viação. Ou seja, dez vezes menos do que as atribuídas à gripe.

4. A vacinação é a melhor forma de prevenção

A gripe transmite-se principalmente por aerossóis que se formam na tosse e espirro. Há comportamentos que minimizam as hipóteses de apanhar gripe: beber muita água, de modo a manter as mucosas hidratadas, evitar ambientes secos e espaços fechados com aglomeração de pessoas, manter a casa arejada e limpa ou lavar e desinfetar com frequência as mãos. Mas a medida preventiva mais eficaz é mesmo a vacinação, que está fortemente recomendada para vários grupos de risco como: pessoas com mais de 65 anos, doentes crónicos ou com sistema imunitário debilitado, grávidas e profissionais de saúde que contactem com doentes. Para além destes grupos prioritários, a vacinação também está aconselhada a pessoas com idades entre os 60 e 64 anos.

5. O frio é amigo da gripe e inimigo do sistema imunitário

A época da gripe acontece nos meses mais frios, durante o outono e o inverno. O frio também enfraquece o sistema imunitário, tornando-nos mais suscetíveis aos vírus que não conseguimos eliminar. 
E os da gripe, em concreto, dão-se melhor em condições de ar frio e seco, estando as epidemias geralmente relacionadas com quebras nos valores de humidade.

6. Há grupos de pessoas especialmente vulneráveis à doença

Comecemos pelos grupos etários: a gripe é responsável por uma morbilidade e mortalidade significativas nos adultos, em particular nos indivíduos com mais de 65 anos, pela imunosenescência do sistema imunitário. Esta vulnerabilidade, porém, não se resume apenas à idade. A gripe pode afetar especialmente pessoas que apresentem certas condições clínicas subjacentes, sobretudo doenças crónicas, do foro cardíaco, pulmonar, renal, hepático, doenças sanguíneas ou metabólicas (como a diabetes).

Fontes: Ponto 1 – Rede Portuguesa de Laboratórios para o Diagnóstico da Gripe; Pontos 2, 5, 6 – Relatório do Programa Nacional de Vigilância da Gripe 2016-2017; Ponto 3 – Relatório do Programa Nacional de Vigilância da Gripe 2016-2017, PORDATA www.pordata.pt/Portugal/Acidentes+de+via%C3%A7%C3%A3o+com+v%C3%ADtimas++feridos+e+mortos+++Continente-326 (último acesso 2 novembro 2017), www.cdc.gov/flu/protect/keyfacts.htm; ec.europa.eu/transport/road_safety/sites/roadsafety/files/vademecum_2016.pdf; Ponto 4 – Relatório Vacinómentro 2016-2017.