Os ministros das Pescas da União Europeia chegaram esta madrugada a acordo para os totais admissíveis de capturas e quotas para 2018, após mais de 20 horas de negociação em Bruxelas, informaram fontes europeias.

No caso de Portugal, a captura de pescada sofre um corte de 12% (menos que os 30% inicialmente propostos por Bruxelas) e a de carapau 24%. Em nenhuma das espécies a quota é atingida pelos pescadores portugueses. Na captura de biqueirão, a quota mantém-se. Aumentam os limites de pesca de raias (15%), lagostins (13%) e areeiros (19%), mantendo-se as quotas nas julianas, solhas, ligados e tamboris.

Os 28 chegaram a um acordo às 7h38 locais (6h38 em Lisboa), depois de uma negociação particularmente longa em relação aos anos anteriores, de quase 22 horas. Os ministros estavam reunidos desde as 10h00 da manhã (9h00 em Lisboa) de terça-feira em Bruxelas.

A ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, já reagiu, destacando o “resultado bastante favorável” da maratona de quase 24 horas de negociações sobre as pescas para 2018, face às expectativas de Portugal, nomeadamente na redução da pescada.

Os resultados deste conselho, face às expectativas, são bastante favoráveis”, disse a ministra aos jornalistas, exemplificando com o biqueirão — uma espécie com elevado valor comercial — “onde havia uma proposta de redução de 20%” e foi conseguida a manutenção das quotas de pesca para o próximo ano.

Ana Paula Vitorino destacou a boa cooperação com a sua homóloga espanhola, Isabel Tangerina, nas negociações, salientando que os dois países trabalharam “de uma forma muito próxima”.

O acordo para os limites de capturas de pescado para 2018 “é globalmente positivo” para a Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores da Pesca.

“Consideramos positivo o aumento de quotas na raia, no lagostim e no tamboril e julgamos que poderiam ser aumentadas ainda”, afirmou o coordenador da Federação, Frederico Pereira, à agência Lusa, tendo considerado “globalmente positivo” o acordo conseguido.

“Em relação à raia, que tem importância para a pesca nacional e que tem sido muito castigada pela diminuição das quotas, é significativo este aumento das possibilidades de pesca”, acrescentou.

Em relação ao biqueirão, cujo Total Admissível de Capturas (TAC) vai manter-se, a Federação dos Sindicatos defendeu que “devia ser aumentado, porque é a espécie que tem salvado a pesca do Cerco, tendo em conta as quantidades deste pescado que se consegue pescar”.

A diminuição do TAC no carapau e na pescada “não é muito negativa pelo facto de que as embarcações não atingem a quota atribuída” e, no caso do carapau, “não tem a valorização que devia ter nas lotas”.