Nuno Mota Pinto deverá ser o próximo presidente da Caixa Económica Montepio Geral, de acordo com informação avançada pela TVI 24. O diretor executivo do Banco Mundial será o nome escolhido para substituir José Félix Morgado, o gestor que tomou posse em 2015 e que está de saída na sequência de divergências com Tomás Correia, atual presidente da associação mutualista detentora da caixa económica.

A mudança na presidência surge na reta final do processo de entrada da Santa Casa para o capital do Montepio que, de acordo com Tomás Correia, deverá estar fechado em breve. Em causa está uma posição equivalente a 10% que passará a estar sob o domínio da instituição até há poucas semanas presidida por Pedro Santana Lopes a quem sucedeu Edmundo Martinho no lugar de provedor. O valor envolvido poderá rondar 200 milhões de euros mas, em entrevista à RTP, o candidato à presidência do PSD afirmou estranhar aquela soma. Santana Lopes adiantou que a Santa Casa deveria aplicar, no máximo, 50 milhões de euros na caixa económica.

Santa Casa investe no Montepio “com alguma tranquilidade”

Ao contrário da perspetiva que é defendida pelo líder da associação mutualista, num ponto de vista que também é subscrito pelo Governo, Félix Morgado colocava dúvidas sobre a intenção de transformar o Montepio num “banco social”, virado para o financiamento ao terceiro setor, e tinha reservas sobre a alienação do braço segurador do grupo, proprietário da Lusitânia, aos investidores chineses da CEFC. Também a composição da administração seria objeto de discordância entre Tomás Correia e Félix Morgado, que terá resistido à nomeação de dois gestores pretendida pelo líder da mutualista.

Félix Morgado sai do Montepio em rutura com Tomás Correia

Após as resoluções do Banco Espírito Santo e do Banif, a Caixa Económica Montepio Geral passou a estar sob o radar do Banco de Portugal. A associação mutualista já procedeu a uma operação de recapitalização no valor de 250 milhões de euros mas esta iniciativa foi tida como insuficiente, o que justificou a procura de um investidor externo capaz de injetar novos recursos na caixa económica. Perante as dificuldades em encontrar entidades interessadas, a responsabilidade, numa solução patrocinada pelo ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, acabou por ser lançada sobre a Santa Casa.

Nuno Mota Pinto é filho de Carlos Alberto da Mota Pinto, antigo primeiro-ministro, ex-líder do PSD e professor da Faculdade de Direito de Coimbra falecido em 1985. Tem 43 anos e começou a carreira profissional no BPI como analista financeiro.