IPSS

Paula Brito e Costa: “Sinto-me muito magoada com o meu país”

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Fundadora da Raríssimas garante nunca ter usado dinheiro público e explica que vestidos eram "farda" para eventos da associação. Paula Brito e Costa diz que ministro soube de irregularidades em junho.

MÁRIO CRUZ/LUSA

A ex-presidente da Raríssimas garante que não usou dinheiro público e que apenas fez “o bem”. E mesmo que fique provada a sua inocência, não irá regressar à associação que fundou. Numa entrevista ao Expresso, Paula Brito e Costa justificou os gastos que fez e que lhe valeram a acusação de gestão danosa. “Sinto-me muito magoada com o meu país. Só fiz o bem. Estão com medo do meu poder? Só o uso para a Raríssimas. Provem que usei dinheiro público. Não usei. Merecia um pedido de desculpas do país”, afirmou a fundadora da Raríssimas ao Expresso.

Ao mesmo jornal, a ex-presidente da associação garantiu que o ministro da Segurança Social, Vieira da Silva, sabia que havia problemas graves na delegação do Norte desde junho, e que até recomendou uma queixa ao Ministério Público. De acordo com Paulo Brito e Costa, em junho houve uma reunião entre a então presidente da associação e um responsável da Segurança Social, onde Paulo Brito e Costa terá mostrado uma auditoria que revelava a existência de apropriação indevida de donativos na delegação da raríssimas no Norte. Perante esses dados, segundo a ex-presidente da associação, “o senhor ministro sugeriu o envio imediato para o Ministério Público, por ser a entidade mais competente e eficaz para a investigação destas matérias”.

Ao Expresso, Paulo Brito e Costa diz que a auditoria que mostrou à Segurança Social era suficiente para afastar logo a vice-presidente e um tesoureiro. O Ministério da Segurança Social confirmou àquele jornal que teve conhecimento desses dados naquela altura e que sugeriu o envio dos mesmos ao Ministério Público, mas os serviços de inspeção e de fiscalização da própria Segurança Social, que podiam ter aberto um inquérito, não terão sido informados pelo ministro.

As gambas e as “fardas” da Karen Millen

Paula Brito e Costa esclareceu que o seu ordenado de três mil euros resultava de um “contrato de trabalho com a Raríssimas” enquanto diretora-geral e não como presidente da IPSS — a lei permite um ordenado máximo de 1600 euros. “Não sou remunerada enquanto presidente da instituição. Sou uma empregada por conta de outrem e por isso não estou no regime das IPSS.”

A fundadora da associação confirmou receber 1300 euros de ajudas de custos e referiu que o PPR de 816 euros resultava de um “prémio de produtividade” ao qual tinha direito e que nunca recebeu. “O meu contrato de trabalho diz que tenho direito a um prémio de produtividade de 1500 euros por mês, que nunca recebi porque achei que seria uma exorbitância. Como nunca tive aumento, a direção achou que, por termos as contas equilibradas, traduziria o prémio de produtividade num PPR.” Quanto ao BMW, a ex-presidente da Raríssima afirmou que o carro servia “todo o conselho de administração da Casa dos Marcos”.

A ex-presidente garantiu nunca ter usado o cartão de crédito da Raríssimas para gastos pessoas. Para Paula Brito e Costa, os vestidos da marca Karen Millen que comprou com o cartão de crédito da IPSS eram “fardas” para eventos da Raríssimas e para “ir à rainha”. “Não é um luxo, é um vestidinho. Toda a vida só vesti Karen Millen“. A antiga responsável pela associação explicou ainda que comprou gambas com o cartão da Raríssimas para um jantar que deu em sua casa para “pessoas que iriam investir na associação”. “Se os levasse ao Gambrinus a conta seria muito superior.

Na mesma entrevista, Paula Brito e Costa esclareceu que o inquérito do Ministério Público a alegadas irregularidades financeiras da Raríssimas surgiu depois de ter entregue o relatório de uma auditoria da consultora PKF à IPSS e que levou ao afastamento da vice-presidente, Joaquina Teixeira. “A única fraude que existiu fui eu que a descobri.

A fundadora da Raríssimas também não poupou críticas ao ex-tesoureiro Jorge Nunes, considerando-o um “inconsequente” e acusando-o de ter feito “muita asneira”. “Pessoas como o Jorge Nunes são uma herança antiga de uma IPSS que geria 100 mil euros. Quando começou a crescer, passou a ter muitos milhões angariados pela Paula Brito e Costa. É bom pensar que todos os tijolos que estão aqui são da minha responsabilidade.

Paula Brito e Costa esclareceu ainda ter convidado Vieira da Silva para vice da Assembleia-Geral da Raríssimas, depois de o governante ter dado um “apoio financeiro” de meio milhão de euros para a construção da Casa dos Marcos, unidade de cuidados de saúde para crianças com doenças mentais ou raras, quando foi ministro da Solidariedade Social. “Vieira da Silva não tem uma areia onde se lhe toque sobre este caso. É uma das pessoas com a maior integridade que já vi na minha vida.”

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