O ex-vice-presidente do governo regional da Catalunha, Oriol Junqueras, usou uma das dez chamadas telefónicas semanais a que tem direito na prisão para dar uma entrevista à estação de rádio RAC1. E afirmou que só está preso porque não se esconde e é “consequente” com os seus atos, numa referência implícita ao presidente destituído Carles Puigdemont, que saiu da Catalunha para Bruxelas., onde se mantém.

“Estou aqui porque não me escondo nunca do que faço e porque sou consequente com os meus atos, decisões, pensamentos, sentimentos e vontade”, afirmou Junqueras, defendendo que tanto ele como os ex-conselheiros do governo regional sempre “deram a cara”, optando por não viajar para fora do país (como fez Carles Puigdemont com três conselheiros) e arriscando-se a ser presos.

Oriol Junqueras, que tem acompanhado a campanha para as eleições de 21 de dezembro a partir da cadeia, é também presidente da Esquerda Republicana, um dos partidos independentistas da Catalunha, e mostra-se confiante com uma vitória eleitoral. Se vencer, diz querer formar um governo de unidade.

Quero conseguir um governo com a máxima unidade e consenso possíveis. Sempre dei a mão a todo o mundo”, defendeu na entrevista.

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“Estou seguro de que o formaremos [o governo]. Estou seguro de que eu mesmo, se o parlamento o decidir, terei a oportunidade de o presidir”, reforçou. E garantiu ainda que, mesmo estando preso, tratou de todas as diligências para que possa votar na próxima quinta-feira, dia 21. “Parece-me que temos todo o direito do mundo a ganhar. Espero votar e ganhar”, garantiu.

Preso desde o dia 2 de novembro, Oriol Junqueras diz que tem dedicado o tempo na prisão à escrita e à leitura. Afirma também que “a estadia na prisão contribuiu para reforçar alma, faz-te mais forte e faz-te estar mais convencido daquilo que representaste”, e diz estar “convencido” de que a causa independentista irá “seguir em frente”.

As eleições regionais de 21 de dezembro foram convocadas pelo chefe do Governo espanhol, Mariano Rajoy, em 27 de outubro passado, no mesmo dia em que decidiu dissolver o parlamento da Catalunha e destituir o executivo regional presidido por Carles Puigdemont.

Os partidos separatistas ganharam as últimas eleições regionais, em 2015, com 72 deputados num total de 135 no parlamento regional, o que lhes permitiu formar um Governo que organizou um referendo de autodeterminação em 1 de outubro último, que foi considerado ilegal pelo Estado espanhol.