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Dez pessoas foram condenadas à morte na província de Guangdong, na China, perante um público de milhares de pessoas convidadas a assistir através de uma nota oficial que circulou dias antes nas redes sociais. Após terem sido publicamente sentenciados à morte, de acordo com os media estatais, os condenados foram imediatamente executados noutra localização.

A sentença decorreu na cidade de Lufeng, a cerca de 160 quilómetros de Hong Kong, no passado sábado. Os acusados, escreve o The Guardian, eram levados individualmente para uma plataforma montada no tartan das pistas de corrida, onde lhes eram lidas as sentenças. Algumas pessoas assistiam nos assentos do estádio, outras em pé no relvado. Segundo o jornal britânico, há relatos de que havia estudantes em uniformes escolares entre o público. Houve também quem gravasse o ‘espetáculo’.

Das pessoas condenadas à morte, sete eram acusadas de crimes relacionados com droga e os outros três de homicídio e roubo. Na China a sentença de morte é aplicável a crimes não violentos, como os económicos e de tráfico de droga. Não se sabe ao certo quantas pessoas são executadas anualmente, pois os dados são considerados segredo de estado. Contudo, a organização não-governamental Fundação Dui Hua estima que o valor ande por volta das duas mil pessoas.

Apesar de não serem comuns, o número de condenações públicas tem vindo a aumentar na China. Há cinco meses, também em Lufeng, oito pessoas foram publicamente condenadas à morte, de acordo com media estatais. Tal como desta vez, os condenados foram executados imediatamente após a sentença numa outra localização.

A China sentencia mais pessoas à morte do que todo o restante mundo junto, tendo os tribunais chineses uma taxa de condenação de 99,9%.

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