A recente declaração de vitória sobre o Daesh por parte do Governo iraquiano não alterou a missão da coligação internacional no terreno, onde 32 militares portugueses dão treino e formação, registando-se, contudo, uma mudança no nível da ameaça.

“Não houve nenhuma alteração. Para a nossa missão aqui não houve nenhuma alteração. A nossa missão é formar e treinar as forças do Exército iraquiano. A declaração da vitória militar contra o Daesh não trouxe nenhuma implicação à missão que é treinar as forças”, disse aos jornalistas o comandante do contingente português no campo de Besmayah.

O militar português, que não pode divulgar o nome devido a regras da coligação internacional “anti-estado Islâmico”, explicou por outro lado que o anúncio do fim da guerra, “por si só, não alterou o nível de ameaça”.

“Quer dizer que o Daesh controlava o território no Iraque e neste momento isso não acontece. A tática que se pressupõe que o Daesh vá recorrer é a insurgência, que implica o recurso a engenhos explosivos improvisados”, disse.

Antecipando esse cenário, os militares que integram a coligação internacional estão mais atentos ao eventual recurso a engenhos explosivos improvisados, o que, até ao momento, ainda não aconteceu, acrescentou o comandante do contingente português em missão no Iraque, o 6.º, da Brigada Mecanizada.

Em todos os outros parâmetros de risco, o nível de ameaça mantém-se inalterado, acrescentou.

O comandante português recebeu esta segunda-feira no campo militar de Besmayah a “visita de Natal” do ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, que agradeceu o “trabalho magnífico” dos militares em favor da “paz comum e dos valores comuns”.

A missão dos portugueses passa por “capacitar o Exército iraquiano, em combate em áreas edificadas e abertas, luta ou combate `life saving´”, entre outras, para “serem mais autónomos” no combate contra o Daesh.

Para além das técnicas e da formação em áreas que abrangem ainda o planeamento e a liderança, os militares portugueses também “ensinam” a “disciplina”, impondo o cumprimento rigoroso do horário dos treinos diários, que começam às 07:00 da manhã, adiantou.

No passado dia 9, o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, anunciou “o fim da guerra” levada a cabo pelas forças governamentais nos últimos três anos contra grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico no Iraque.

Funcionários iraquianos e da coligação de 52 países vincaram que, apesar da declaração de vitória militar, recuperando o controlo territorial que era mantido pelos extremistas, o Iraque continua a enfrentar ameaças de segurança significativas.

Questionado pelos jornalistas sobre o impacto da declaração de vitória no tipo de operação no terreno, Azeredo Lopes disse que as forças iraquianas “precisarão com certeza de mais formação” e adiantou que “há mais pedidos, em geral, à coligação anti-Daesh para que ajude a formar e a qualificar”.

Em 2018, Portugal vai manter a mesma participação do que em 2017, com um novo contingente que renderá o atual, em maio.

“Se pensarmos no que representou o combate militar contra as forças do Daesh, esta ação de capacitação pode ter uma importância determinante para as forças iraquianas poderem ser mais capazes e estar mais preparadas para enfrentar doravante aqueles que sejam os seus inimigos e, sendo o Daesh, são inimigos da humanidade”, declarou.

Acompanhado do chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, Pina Monteiro, e do chefe do Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte, Azeredo Lopes visitou a “casa de Portugal” no campo militar, liderado pela Espanha, e assistiu a gravações do trabalho diário dos militares portugueses em Besmayah.