Marcelo Odebrecht, milionário e herdeiro de uma das maiores empresas de construção civil do Brasil, sai terça-feira da cadeia para cumprir pena em prisão domiciliária depois de passar dois anos e meio preso.

Uma das personagens envolvidas nos esquemas de corrupção descobertos na petrolífera estatal Petrobras na Operação Lava Jato, Marcelo Odebrecht foi inicialmente condenado a 19 anos e quatro meses de prisão por liderar um esquema de pagamentos de suborno a funcionários de empresas públicas e políticos em troca de vantagens em contratos.

Marcelo Odebrecht, que levou o seu conglomerado de empresas a faturar cerca de 100 mil milhões de reais (25 mil milhões de euros) por ano pouco antes de ser preso em 2015, vai cumprir em casa e está impedido de participar em qualquer atividade do Grupo Odebrecht até 2025.

O empresário teve a sua pena diminuída para nove anos de prisão e recebeu uma série de benefícios — como o direito de cumprir parte da pena em detenção domiciliária — após firmar um acordo com a Justiça brasileira juntamente com outros 77 executivos do seu grupo empresarial, confessando os crimes que praticou e auxiliando nas investigações da operação Lava Jato.

A saída de Marcelo Odebrecht da prisão acontece num momento em que o império construído pela sua família está fragilizado, com o faturamento em queda acentuada desde que as suas empresas perderam diversos projetos.

Em 2016, após firmar um acordo com os Governos dos Estados Unidos, Brasil e Suíça, o Grupo Odebrecht confessou que pagou pelo menos 788 milhões de dólares (670 milhões de euros) em subornos a funcionários de Governo e representantes de partidos políticos em 12 países.

Os supostos pagamentos de suborno da Odebrecht atingiram recentemente o Presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, acusado de receber dinheiro ilegal da empresa, que agora enfrenta uma eventual destituição do cargo.

Outros ex-presidentes do Peru, Alan García e Ollanta Humala e Alejandro Toledo também foram citados, investigados e respondem em processos por ligações pouco claras com a construtora brasileira. Políticos da Colômbia, Argentina e Panamá também são suspeitos de terem participado dos esquemas ilícitos da empresa brasileira.