A reprodução humana não acontece uniformemente ao longo do ano. Será que o apetite sexual aumenta em altura de grandes celebrações? O estudo Human Sexual Cycles are Driven by Culture and Match Collective Moods mostra que o interesse por sexo tem picos e que estes se concentram principalmente durante as celebrações culturais e religiosas — independentemente do hemisfério em que nos situemos.

Na mesa estão duas hipóteses: a biológica e a cultural. A primeira propõe que os ciclos reprodutivos humanos são uma adaptação aos ciclos sazonais causados pela posição do hemisfério. A segunda diz que as datas de conceção variam consoante os fatores culturais, como feriados e outras celebrações.

O estudo tem por base as pesquisas online feitas nas várias partes do globo. Para medir o interesse sexual, por país, os investigadores basearam-se na frequência com que a palavra ‘sexo’ foi pesquisada no Google. Foram utilizados dados de 129 países, que foram divididos consoante a religião que, na maioria, pratica a sua população, e pelo hemisfério a que pertencem.

Nos países cristãos, por exemplo, há um pico no que diz respeito à pesquisa da palavra ‘sexo’ na internet, durante o período do Natal. Em países cuja religião predominante é o islamismo, o que acontece é que estas pesquisas atingem um pico na semana Eid-al-Fitr (celebração que marca o fim do período de jejum) e aumentam durante a Eid al-Adha, a semana da Festa do Sacrifício. Por outro lado, há uma diminuição do interesse por sexo durante o Ramadão.

A vermelho estão representados os países onde a pesquisa pela palavra ‘sexo’ atinge um pico na semana de Natal. A verde estão representados os países onde este pico se atinge durante a semana Eid-al-Fitr.

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No que diz respeito à hipótese biológica, os investigadores obtiveram dados referentes à pesquisa da mesma palavra — ‘sexo’ — durante os solstícios de verão e inverno, a 21 de junho e 21 de dezembro, respetivamente. Os dados mostraram então que não há nenhum pico neste período, dando então razão à hipótese cultural.

Assim, mais do que uma correlação entre a pesquisa da palavra ‘sexo’ e a localização das pessoas — no hemisfério norte ou sul –, existe uma correlação cultural. A verdade é que, de acordo com o estudo, nos países do norte onde não se celebra o Natal, não há um aumento destas pesquisas online nem sequer um pico nos nascimentos de bebés em setembro.

Cultura e biologia certamente têm uma grande influência uma na outra, mas os dados mostram agora que o comportamento sexual e reprodutivo é determinado maioritariamente por questões culturais.