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Austrália

Atropelamento em Melbourne: não existem indícios de atentado terrorista

Pelo menos 19 pessoas ficaram feridas depois de uma carrinha ter "investido contra vários peões" numa rua movimentada do centro da cidade australiana. O condutor foi detido pelas autoridades.

A presença policial foi reforçada no centro de Melbourne

AFP/Getty Images

Perto de duas dezenas de pessoas ficaram feridas depois de um carrinha ter “investido contra vários peões” na Flinders Street, uma rua movimentada do centro de Melbourne, a segunda maior cidade da Austrália. O condutor e um outro suspeito foram detidos pelas autoridades, que entretanto afastaram a hipótese de se ter tratado de um ataque terrorista.

O comandante Russell Barrett, da polícia do estado de Victoria, ao qual Melbourne pertence, anunciou numa curta conferência de imprensa ao início desta manhã (tarde, na Austrália) que existem razões para crer que o atropelamento foi “deliberado”, não se sabendo, porém, se se tratou de um ato terrorista. “Nesta altura, acreditamos que foi um ato deliberado. Contudo, ainda não sabemos qual foi motivação e a investigação ainda vai no início”, disse o comandante.

Mais tarde, numa outra conferência de imprensa, o comissário da polícia, Shane Patton, garantiu que “não existem evidências da parte dos serviços secretos que indiquem que existe uma ligação terrorista”. “Quero reiterar isso”, afirmou, citado pelo The Guardian. Shane Patton adiantou ainda que a investigação irá continuar, mas sem a ajuda do comando de contraterrorismo “para garantir que não existe essa ligação e que não existe ameaça”.

Daniel Andrews, governador do estado de Victoria, condenou o “ato maléfico” que aconteceu em Melbourne. “O que aconteceu na Flinders Street esta tarde foi um ato maléfico, um ato covarde. Nesta altura do ano, quando tantas famílias estão a celebrar o final do ano, a fazer as suas compras de Natal, a fazer planos para uma altura que devia ser festiva, vimos acontecer um ato horrível, um ato maléfico, um ato covarde, perpetrado contra espectadores inocentes”, afirmou durante a conferência de imprensa. “Fomos todos apanhados de surpresa”, admitiu. “Estamos profundamente tristes e magoados com este ato terrível.”

O incidente aconteceu pelas 16h30 desta quinta-feira (5h30, em Lisboa) perto do cruzamento das ruas Elizabeth e Swanston e teve como alvo um grupo de peões que atravessavam a passadeira depois de o sinal ter ficado verde, refere o The Guardian. De acordo com o jornal britânico, depois de atropelar os peões, o veículo, uma carrinha branca do tipo SUV, terá embatido contra uma barreira de betão perto de uma paragem na Flinders Street. A polícia chegou ao local pouco tempo depois.

Condutor tem historial de problemas mentais. Segundo detido não esteve envolvido no atropelamento

O comandante da polícia de Victoria revelou também que o condutor do veículo, uma carrinha branda do tipo SUV, foi detido. O homem foi imobilizado por um agente da polícia que não se encontrava de serviço, e que acabou por sofrer alguns ferimentos num ombro e numa mão. Segundo um comunicado emitido, mais tarde, pelas autoridades australianas, o agente foi encaminhado para o hospital onde foi assistido. O condutor também foi hospitalizado.

Na conferência de imprensa, o comissário Shane Patton afirmou que, ao que tudo indica, o condutor, de origem afegã, terá 32 anos. Patton disse ainda que o suspeito tem “problemas mentais” e um “historial de abuso de drogas” e a polícia acredita ser isso o que levou ao incidente desta quinta-feira. “Penso que podemos descrever isto como um incidente levado a cabo por um lobo solitário”, afirmou o comissário, reiterando que a polícia está a “explorar aspetos principais que dizem respeito ao historial de saúde mental e de abuso de drogas deste indivíduo”. “Vamos trabalhar a partir daí e ver se descobrimos algo de novo.”

Um segundo suspeito, de 24 anos, também foi detido no local por membros da Equipa de Resposta a Incidentes Críticos (CIRT, na sigla inglesa). O homem estava a filmar o incidente e, alegadamente, tinha facas dentro da mala. “Sabe-se agora que ele não tem nenhuma ligação ao incidente”, adiantaram as autoridades no mesmo comunicado, acrescentando que este se mantém sob custódia policial e que está a ser interrogado.

Incidente faz 19 feridos. Quatro estão em estado grave

Apesar de os dados inicialmente divulgados pelos serviços de emergência de Victoria referirem 15 feridos (13 deles transferidos para o hospital e dois assistidos no local), Russel Barrett garantiu que há 4 pessoas com ferimentos, algumas em estado grave. O número foi posteriormente retificado pela polícia de Victoria, que referiu que “19 peões ficaram feridos durante o incidente”, incluindo uma criança. Os feridos foram encaminhados para o hospital, à exceção de duas pessoas que receberam tratamento no local. Há quatro pessoas em estado grave.

A polícia está a pedir a todas as testemunhas que se dirijam à esquadra na Spencer Street e que os condutores evitem a zona, que foi isolada pelas autoridades. De acordo com Barrett, deverá manter-se assim “durante um período considerável de tempo, pelo que estamos a pedir às pessoas que possam evitar o local, que evitem o local”. As autoridades estão também a apelar aos cidadãos que enviem imagens que possam ter do incidente.

A presença policial no centro de Melbourne foi reforçada.

Primeiro-ministro australiano fala em “incidente chocante”

Malcolm Turnbull, primeiro-ministro da Austrália, condenou, numa curta mensagem, o “incidente chocante” desta quinta-feira. “Enquanto os nossos agentes federais e a policial estatual garante a segurança e investigam este incidente chocante, os nossos pensamentos e preces estão com as vítimas, com os serviços de emergência e com o pessoal médico que as estão a tratar”, disse o governante no Twitter.

O líder da oposição australiana, Bill Shorten, também se referiu às “cenas chocantes em Melbourne”, elogiando o trabalho de quem está no local. “Estou a pensar em todos aqueles que foram apanhados por esta atrocidade”, escreveu no Twitter.

Em comunicado, a câmara municipal de Melbourne também se mostrou solidária para com as vítimas.

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