Quando apareceu aquele spray que os árbitros usam à cintura para utilizar durante os jogos de futebol, até espuma da barba lhe chegaram a chamar mas a verdade é que, não sendo algo essencial para melhorar o decorrer de uma partida, dava o seu jeito: por um lado, para definir o local onde uma infração tinha sido cometida, evitando aquelas tentativas de ganhar metros ou puxar mais para o centro que às vezes se via; por outro, para delimitar o local exato onde deveria fixar-se a barreira, prevenindo que galgasse terreno sem que ninguém percebesse. Agora, e por causa desse sistema que está muito longe de se assemelhar ao Olho de Falcão, por exemplo, a nível de custos, a FIFA arrisca-se no limite a pagar um total de 100 milhões de dólares.

Heine Allemagne, um nome desconhecido até agora, está no centro da questão: o inventor brasileiro declara-se criador do spray que desaparece menos de um minuto depois de ser aplicado e contestou o uso do sistema, alegando deter a patente do produto. Por isso, e como ninguém falou com ele, entrou com uma ação, exigindo os tais 100 milhões de dólares (qualquer coisa como 84,3 milhões de euros, no câmbio atual).

Spray é utilizado pelos árbitros em várias ligas nacionais e competições internacionais (MLADEN ANTONOV/AFP/Getty Images)

“Roubaram a minha ideia e isso vai contra aquilo que dizem do jogo limpo”, explicou aos órgãos nacionais, citados pelo ABC. E conseguiu uma primeira vitória: a justiça brasileira deu-lhe razão e reconheceu que Allemagne tem a patente em 44 países, alegando que a FIFA fabricou os seus sprays de forma ilegal por terceiros.

Em paralelo, a decisão proibiu também o órgão que tutela o futebol mundial de continuar a usar o produto, incorrendo numa multa de 15 mil dólares (12,7 mil euros) por cada jogo em que o spray seja utilizado. De acordo com Allemagne, a FIFA avançou com 500 mil dólares para tentar resolver a questão mas o brasileiro recusou, tendo como prova uma carta enviada à sua empresa que está agora a ser utilizada como prova.