Saídas graduais de funcionários ao longo dos próximos três anos e não um corte radical de mil pessoas até 2020. É desta forma que o presidente dos CTT, Francisco de Lacerda, descreveu o plano de reestruturação da empresa em entrevista ao programa ECO24, transmitida pela TVI24.

“Não estamos a falar de despedimento, e muito menos de despedimento coletivo”, afirmou o executivo, ao mesmo tempo que garantiu que a empresa não irá apresentar qualquer plano de reestruturação dos Correios à Segurança Social para levar a cabo este nível de rescisões, tal como abordado esta quinta-feira no debate quinzenal no parlamento. Um debate em que as propostas de nacionalização da empresa voltaram à ordem do dia.

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O plano implica que os trabalhadores “vão saindo naturalmente, ao longo dos três anos” tal como previsto no plano de reestruturação – a ideia é “gerir uma situação na continuidade”, “com respeito pelas pessoas”. Daí que acredite que “não está em causa um “número impossível de gerir”, defendeu na sua primeira entrevista após ser conhecido o polémico plano de reestruturação que prevê, além da saída de funcionários, a redução de custos e o fecho de lojas.

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Sobre o serviço universal dos correios – um dos temas que levou o governo a ponderar a criação de um grupo de trabalho para avaliar a qualidade do serviço providenciado pelos CTT – Francisco de Lacerda lembrou que a empresa, agora controlada por acionistas privados, não recebe “pelo contrato de concessão do serviço postal universal”, que termina também em 2020.

“O Estado não paga nada aos CTT por serem o concessionário do serviço universal” afirmou. Mesmo não recebendo compensação financeira (ao contrário do que sucede noutros países como Espanha ou Bélgica), o executivo reforçou que “uma análise desapaixonada e atenta vai mostrar que cumprimos as condições do serviço público”, pelo que não se justifica o resgate equacionado pelo próprio primeiro-ministro.