A agência de rating Fitch, que na sexta-feira passada deixou de considerar de “alto risco” o investimento na dívida da República, atribuiu perspetiva “positiva” à classificação de risco da dívida do BCP e da Caixa Geral de Depósitos. Mas, para já, não melhorou os ratings dos dois maiores bancos a atuar em Portugal. A Fitch subiu, contudo, a notação do Montepio Geral (para um nível ainda inferior ao BCP e Caixa) e melhorou, também,o rating do Santander Totta — esse, sim, confortavelmente acima de “lixo”.

Caixa Geral de Depósitos

O banco público continua com um rating BB-, o que indica que terá ainda de subir três níveis para que a dívida emitida pela instituição passe a ser considerada um “investimento de qualidade”. Contudo, o outlook associado a esta notação de risco passou a ser positiva (era “estável”), o que implica que há boas probabilidades de haver uma promoção nos próximos tempos.

A Fitch manifesta confiança de que a gestão liderada por Paulo Macedo irá “executar o plano de reestruturação, o que levará a melhorias significativas na rentabilidade nos próximos 18-24 meses”. Para isso irá contribuir a melhoria do “contexto operacional em Portugal”, na medida em que irá ajudar o banco a reduzir a quantidade de ativos problemáticos que estão no seu balanço. A tendência é para melhorar, mas a CGD continua a ser penalizada por baixa rentabilidade e fraca qualidade dos ativos.

Millennium BCP

Outro banco que também tem como prioridade a redução do montante em ativos não-rentáveis é o BCP. Tal como na Caixa, o BCP fica com o mesmo rating de BB-, a três níveis de sair de lixo, mas a perspetiva também é positiva porque a Fitch acredita que o BCP vai continuar a conseguir reduzir as exposições a crédito malparado e outros ativos problemáticos. Isso ajudará o banco liderado por Nuno Amado a ter de contabilizar cada vez menos perdas com o reconhecimento desses ativos — melhorando os lucros e a posição de capital.

A Fitch reconhece que a capitalização do BCP foi em muito melhorada pelo aumento de capital de 2017, que inclui o reforço por parte dos chineses da Fosun, mas alerta que “a capitalização continua numa situação vulnerável, relativamente a possíveis choques adicionais ao nível da qualidade dos ativos”.

Santander Totta

O Santander Totta, banco que nunca apresentou prejuízos ao longo dos anos da crise, viu a Fitch subir a notação para um nível ainda mais confortavelmente acima de lixo. O rating da dívida de longo prazo do Santander Totta subiu de BBB para BBB+, a notação mais elevada entre os maiores bancos a operar em Portugal e um nível acima da notação atribuída à República.

A Fitch destacou “a qualidade dos ativos do Santander Totta, melhor do que o resto do setor, e os níveis de capitalização adequados”, bem como “o crescimento da marca do banco em Portugal e os benefícios de fazer parte do Grupo Santander em termos de capacidade de gestão”. A agência de notação refere que “as atividades do Santander Totta em Portugal são estrategicamente importantes para o grupo e são apoiadas por uma marca comum, fortes sinergias e integração com a casa-mãe, e uma ampla partilha de gestão de risco e procedimentos e políticas operacionais”.

A Fitch adianta ainda que “as classificações também refletem o desafio de integrar com sucesso o Banco Popular Portugal”, acreditando que “a rentabilidade do Banco Santander Totta permanecerá resiliente em 2018”.

Montepio Geral

A Caixa Económica Montepio Geral teve uma subida de rating, ainda que essa melhoria a tenha colocado num nível ainda inferior às notação atribuídas ao BCP e à Caixa: B+. A subida de um grau na notação de risco é justificada com “as medidas tomadas no sentido de reforçar os rácios de capital [o aumento de capital de 250 milhões] e a aceleração da execução do plano estratégico”.

Contudo, a classificação de risco continua a não ser a mais favorável porque a instituição financeira continua a refletir as diminutas “almofadas” de capital e a fraca qualidade dos ativos, de um modo geral, e a fraca rentabilidade operacional. Este último aspeto será decisivo, diz a Fitch, já que o banco precisa de melhorar a rentabilidade para poder reforçar os rácios de capital.