Jacarta está a ficar debaixo de água. Está a afundar mais rápido do que qualquer outra cidade no mundo inteiro. Mais rápido do que as alterações climáticas estão a fazer o nível das águas subir. Tão rápido que os rios galgam as margens, as chuvas tornam os bairros autênticos pântanos e os edifícios desaparecem aos bocadinhos, engolidos pela terra.

E a culpa não é só do aquecimento global. Na verdade, o principal motivo prende-se com os poços ilegais que os indonésios estão a construir. Gota a gota, estão a secar os lençóis de água subterrâneos sob Jacarta – como que a esvaziar uma gigantesca almofada que suportava uma cidade inteira. Atualmente, cerca de 40% da cidade está abaixo do nível médio das águas do mar.

Num longo especial sobre o grave problema que se vive em Jacarta, o New York Times dá o exemplo de Muara Baru, um distrito costeiro que nos últimos anos afundou mais de quatro metros. Nesta região da capital indonésia, é possível ver crianças a pescar naquilo que há 15 anos era uma fábrica têxtil.

Em Jacarta, as alterações climáticas servem como aliado e não são o principal problema. Os erros humanos – o desenvolvimento apressado, a total falta de planeamento, a inexistência de uma rede de esgotos e um abastecimento de água potável que está longe de ser razoável – são o verdadeiro ponto de partida para o possível desaparecimento da cidade em poucos anos.

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Num país em que o desrespeito e a descrença pelo Governo são totais, os edifícios afundam, o ar é irrespirável e os engarrafamentos levam à loucura. Os prolongados conflitos entre os extremistas islâmicos, os indonésios, os muçulmanos e os chineses bloquearam o progresso, eliminaram líderes reformistas e vetaram qualquer possibilidade de medidas para travar o problema.

Os especialistas garantem que a Indonésia tem apenas dez anos para resolver o problema. Se não conseguir, o norte de Jacarta, em conjunto com milhões de pessoas, vai acabar debaixo de água.