Famílias e empresários portugueses queixam-se com muita frequência que o preço da energia elétrica em Portugal é demasiado elevado. E o tema raramente sai do debate público, sobretudo quando é chamada à discussão a velha questão das “rendas excessivas” que estarão na base de tarifas consideradas das mais onerosas da Europa. Se, de tempos a tempos, a indignação já toma conta dos consumidores portugueses, o que aconteceria se fossem confrontados com uma fatura no valor de 284 mil milhões de dólares, ou seja, 240 mil milhões de euros à taxa de câmbio desta segunda-feira?

Parece estranho, mas foi isto mesmo que sucedeu a uma mulher que habita em Erie, no estado norte-americano da Pensilvânia. Surpresa é a qualificação mínima que se pode fazer da reação de Mary Horomanski quando acedeu ao e-mail e abriu o documento que lhe tinha sido enviado pela Penelec, a empresa com quem tem um contrato de fornecimento de energia elétrica. Para se ressarcir do consumo de um só mês, o fornecedor parecia disposto a cobrar uma soma quase equivalente ao produto interno bruto anual de uma economia como a chilena.

“Os meus olhos até saltaram das órbitas”, afirmou Horomanski ao jornal Times-News. “Nós tínhamos ligado umas iluminações de Natal e cheguei a pensar se não teríamos cometido algum erro”, acrescentou a espantada cliente da Penelec. Depois de ter pedido ao seu filho para entrar em contacto com a empresa, que exigia um pagamento mínimo de 28.176 dólares, o assunto foi esclarecido. Tinha-se tratado apenas de um engano no processamento da fatura, já que foram acrescentados alguns zeros aos 284, 46 dólares que estavam realmente em dívida.

A companhia corrigiu o lapso, mas não conseguiu encontrar uma explicação para a ocorrência. “Não me lembro de alguma ter visto uma conta de eletricidade no valor de milhares de milhões de dólares”, confessou Mark Durbin, porta-voz da Penelec.