Os dois únicos médicos cardiologistas do Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja, estão de férias esta semana. E os doentes que estão internados no serviço de cardiologia, nomeadamente vítimas de enfarte, têm recebido a indicação de que a avaliação só lhes será feita dia 2 de janeiro, quando os dois cardiologistas estiverem de volta ao serviço.

O gabinete de comunicação da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA) confirmou ao Observador que os dois médicos são marido e mulher e que tiraram três dias de férias — de 27 a 29 de dezembro. Questionada sobre se a administração do hospital não coloca entraves ao gozo de férias em simultâneo por parte dos dois únicos cardiologistas, a mesma fonte não respondeu.

“Nas situações de ausência dos médicos Cardiologistas da ULSBA, EPE, por motivo de férias e/ou doença (são cônjuges), e em caso de situação clínica que justifique, os doentes são orientados para outras Instituições do Serviço Nacional de Saúde (SNS), nomeadamente para o Hospital do Espírito Santo, em Évora, e para o Hospital de Santa Marta, em Lisboa, conforme rede de referenciação”, esclareceu a mesma fonte hospitalar, que não conseguiu dizer, em tempo útil, quantos doentes terão já sido reencaminhados para outras unidades, por falta de resposta daquela especialidade.

No caso de situações de “patologia cardíaca aguda”, os doentes que chegam ao Hospital José Joaquim Fernandes são observados e orientados por médicos de medicina interna que “estão em contacto com o Serviço de Cardiologia do Hospital de Santa Marta e enviam doentes para exames diferenciados, nomeadamente hemodinâmica, com regularidade, tal como acontece na presença dos médicos cardiologistas”.

Os doentes que “por ausência dos dois médicos cardiologistas são encaminhados para as instituições atrás referidas, após submetidos a avaliação clínica, por regra, são reencaminhados para posterior acompanhamento e continuidade de cuidados no Serviço de Cardiologia do Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja”.

Este período do final de ano é um dos mais críticos no que toca a assegurar cuidados hospitalares, nomeadamente nas urgências. E o normal tem sido os hospitais recorrerem a médicos tarefeiros, ainda que com regras cada vez mais apertadas e cortes também nesta área.

Já esta semana o Correio da Manhã tinha noticiado que, por falta de médicos em Évora, o helicóptero do Instituto Nacional de Emergência Médico (INEM), estacionado normalmente naquela cidade, foi deslocado para Lisboa nos dias 24 e 25 de dezembro e que o socorro aéreo em todo o Alentejo e zona de Santarém foi assegurado a partir de Lisboa. Entre Lisboa e Évora o voo demora “aproximadamente 15 minutos”, esclareceu ao jornal fonte do INEM. Contas feitas, se um doente precisar de ser transportado de Évora para Lisboa, esse transporte vai demorar 30 minutos, o dobro do tempo face ao que acontece quando o helicóptero está lá parado.