João Soares ou Gabriela Canavilhas. Os ex-ministros, atualmente deputados na Assembleia da República, são os mais prováveis candidatos à sucessão de Teresa Marques na administração da agência de notícias Lusa, que termina as suas funções no próximo ano, avança o jornal Público. Além de serem encarados como hipóteses para a liderança da agência, os socialistas têm em comum um percurso recente pautado por polémicas com a comunicação social.

Ao Público, que avança os nomes na sua edição desta quinta-feira, nem Soares nem Canavilhas nem o próprio ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, confirmam esse cenário. O ex-ministro da mesma pasta remeteu para “o princípio do ano” uma eventual posição sobre o assunto e a antiga titular da pasta da cultura publicou uma nota no Twitter onde diz que não foi convidada ou sondada para a agência. E reforça mesmo que a Lusa deve ser presidida por alguém com currículo na área dos media.

Certo é que Teresa Marques, atual administradora, se prepara para sair. Esta semana, o Jornal Económico escrevia que a responsável já se despediu dos trabalhadores, deixando no ar a ideia de que a sua saída coincidirá com a próxima assembleia-geral onde serão aprovadas as contas deste ano. Na carta que partilhou internamente, Marques deixa críticas ao executivo de António Costa: “A verdade é que termino este mandato sem entender o que se passou. O conselho de administração apresentou uma estratégia de crescimento, de reforço da agência, quer a nível nacional, quer internacional, bem como de reforço do digital.”

Uma estratégia, diz Teresa Marques na carta citada pelo semanário, que o Governo “aprovou” , tendo em conta que validou o “Contrato de Prestação de Serviço entre o Estado e a Lusa e reforçou em 20% (desde 2016) o valor da indemnização compensatória”.

A sucessão só deverá ficar fechada nas primeiras semanas de 2018. Há (ou houve) outros nomes em cima da mesa, como Jorge Wemans, provedor do espetador da RTP, ou Gustavo Cardoso, docente do ISCTE, ambos com um passado com ligação à agência de notícias. Mas, de acordo com o Público, Soares e Canavilhas são os dois candidatos mais fortes ao lugar — e apresentam um currículo com polémicas envolvendo jornalistas e colunistas.

Em abril do ano passado, quatro meses e meio depois de assumir funções no Governo de António Costa, João Soares ameaçou dar um “par de bofetadas” dois então colunistas do Público: Augusto M. Seabra e Vasco Pulido Valente. Depois de ter questionado as qualificações do ministro para as funções que ocupava, Seabra e Pulido Valente viram João Soares usar o seu perfil na rede social Facebook para desejar ter a “sorte” de se cruzar com os colunistas para um acerto de contas.

Em 1999 prometi-lhe publicamente um par de bofetadas. Foi uma promessa que ainda não pude cumprir. Não me cruzei com a…

Posted by João Soares on Wednesday, April 6, 2016

Pouco depois, seria Canavilhas a recorrer ao Twitter para defender o despedimento de uma jornalista do mesmo diário. Clara Viana esteve a acompanhar as manifestações contra e a favor dos contratos de associação nas escolas privadas e, apontando a “discrepância de números inaceitável” relativamente às pessoas que tinham integrado ambas as manifestações, a deputada publicou uma série de tweets em que partilhou as reportagens em causa e se questionava sobre porque o motivo por que a jornalista ainda não tinha sido “despedida por escrever factos falsos”.

São os nomes que podem seguir-se na liderança da agência de notícias detida maioritariamente pelo Estado português (com 50,14% do capital da empresa). Ao Público, mais do que os nomes que podem assumir a administração, PCP e BE mostram-se mais interessados na defesa de uma Lusa absolutamente pública. A Global Media Group, de Joaquim Oliveira, e a Impresa, de Francisco Pinto Balsemão, detêm outros 45,71% da participação.